Kaelyson Moraes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, retirou de tramitação o pedido de investigação contra o ministro André Mendonça, protocolado pelo ministro Alexandre de Moraes.
O pedido havia sido apresentado após a quebra de sigilo determinada por Mendonça no caso envolvendo o Banco Master, que expôs conversas atribuídas a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
No pedido, Moraes acusou Mendonça de ter atuado com “quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos”. O episódio ampliou a tensão entre os ministros da Corte e provocou novos embates internos no STF.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o analista político Helso Ribeiro avaliou que a crise entre os ministros ocorre em um momento que pode favorecer determinados grupos políticos e suas campanhas eleitorais.
“Agora, legalmente, a gente já viu que o ministro Fachin, o presidente, já chamou para si o inquérito, acredito que tentando colocar panos quentes aí. E, principalmente, eu observo que essa briga interna lá no Supremo cai como uma luva nesse momento eleitoral, porque muitos tentam utilizar essas desavenças favoráveis ao candidato A, B ou C. Isso fica claro para mim”, afirmou.
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Consequências jurídicas
Apesar da repercussão do caso, Helso Ribeiro avalia que o episódio dificilmente deverá resultar em punições aos ministros dentro da própria Corte.
“Neste caso específico, eu acredito que não, não vão ser punidos. E aí me vem em mente um livro que eu gosto muito, do Jean-Jacques Rousseau. Ele fala que as leis são úteis e boas para os que têm posses, para os poderosos. Enquanto os que nada têm, elas são nocivas. Então, eu acho que não vai dar em nada. Não é à toa que o presidente Fachin já chamou para ele”, declarou.
Para o analista, a atuação de integrantes do Judiciário em situações consideradas inadequadas pode alimentar discursos que buscam enfraquecer instituições perante a sociedade.
“Eu vejo que tem pessoas que têm interesse em ridicularizar instituições. A Procuradoria da República, a Suprema, as Cortes Superiores, eu acredito que é lastimável. Ao mesmo tempo, a gente vê a participação de ministros com um viés não tão jurídico, muito político, né? Ainda que as Cortes Constitucionais tenham um viés político mundo afora. Só que aqui no Brasil, acho que às vezes tomam uma proporção que não deveria tomar”, disse.
Helso Ribeiro também defendeu que eventuais erros cometidos por integrantes das instituições sejam apurados e, quando comprovados, resultem nas medidas cabíveis.
“O que eu espero, sendo defensor da democracia, é que as instituições sigam firmes e, ainda que um dos seus membros cometa erros, eu adoraria vê-los punidos quando cometem erros. Mas eu gostaria de ver o fortalecimento das instituições brasileiras”, finalizou.
Escalada de tensões
André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no STF, determinou a quebra de sigilo no processo na terça-feira, 1º/9. Com a medida, documentos da investigação foram tornados públicos.
Entre os materiais divulgados estão registros de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro com um contato atribuído a Alexandre de Moraes. Em uma das conversas, o ex-banqueiro teria enviado uma mensagem dois dias antes de ser preso, perguntando ao interlocutor apontado como Moraes se deveria deixar o país.
Caso Master
Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando, segundo as investigações, tentava deixar o país.
A prisão ocorreu no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master, instituição controlada por Vorcaro. O caso envolve suspeitas de irregularidades e infrações relacionadas ao sistema financeiro, além de investigações sobre possíveis conexões com diferentes agentes públicos e privados.
As acusações e informações relacionadas ao caso seguem sob investigação das autoridades competentes.






