Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Médicos e entidades que representam a categoria voltaram a cobrar respostas do Governo do Amazonas sobre os atrasos nos pagamentos pelos serviços prestados na rede pública estadual de saúde. O alerta foi publicado pelo Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) nas redes sociais na noite desta quarta-feira, 26/8.
Segundo o sindicato, a situação pode provocar a redução do número de profissionais disponíveis e comprometer a formação das escalas de atendimento nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2026.
Representantes do Simeam, do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) e de empresas de especialidades médicas se reuniram novamente na sede do conselho para discutir medidas diante dos atrasos nos repasses.
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De acordo com as empresas prestadoras de serviços, a maioria teria recebido apenas os valores referentes à competência de maio.
O Governo do Amazonas havia estabelecido o fim de agosto como prazo para quitar os pagamentos referentes a junho e também teria sinalizado uma reunião com o governador Roberto Cidade (União Brasil) para tratar do assunto. Segundo o Simeam, o encontro não aconteceu.
“O Governo do Amazonas havia estipulado o final de agosto como prazo para a quitação do mês de junho, além de ter prometido uma reunião de definição com o governador para até 10 dias após o primeiro encontro do grupo. No entanto, o compromisso não foi cumprido e a reunião sequer aconteceu”, relatou a entidade.
Ainda segundo o sindicato, a falta de garantias sobre a regularização dos pagamentos estaria levando médicos de diferentes especialidades a se recusarem a assinar as escalas do último trimestre do ano.
A entidade afirma que o cenário pode resultar na redução do número de profissionais nas unidades estaduais e afetar diretamente pacientes que dependem do atendimento público.
“A precariedade do sistema de saúde no Estado é um problema sério de saúde pública que deveria ser prioridade máxima dos governantes, mas não é o que assistimos na prática”, afirmou o presidente do Simeam, Mário Vianna.
O Simeam também afirma que o problema não é isolado. Segundo a entidade, serviços prestados nos últimos meses de 2024 e 2025, ainda durante a gestão do ex-governador Wilson Lima (União), também teriam enfrentado dificuldades relacionadas aos pagamentos.
Para a categoria, a repetição dos atrasos aumenta a insegurança entre médicos e empresas responsáveis pela manutenção das escalas na rede estadual.
CFM manifesta preocupação
A situação também chegou ao Conselho Federal de Medicina (CFM). O presidente da entidade, Hiran Gallo, manifestou preocupação com o cenário no Amazonas e afirmou que o conselho está adotando providências para cobrar uma solução do Governo do Estado.
Além da questão financeira, o CRM-AM deve analisar os diferentes modelos de contratação utilizados pela gestão estadual. A entidade pretende realizar um estudo sobre os aspectos éticos dessas modalidades.
As entidades médicas afirmam que continuarão articuladas e não descartam novas medidas jurídicas para tentar evitar o chamado desassistimento nos hospitais estaduais durante o último trimestre de 2026.
Governo diz ter repassado R$ 276 milhões
O governador do Amazonas, Roberto Cidade, anunciou no início de agosto um avanço nas negociações com representantes de empresas médicas para regularizar os pagamentos dos profissionais que atuam na rede pública estadual.
Segundo o Governo do Amazonas, R$ 276 milhões foram repassados nos quatro meses anteriores para regularizar pagamentos relacionados aos serviços médicos.
Na ocasião, o governador afirmou que o diálogo com a categoria continuaria e que estava previsto um novo repasse superior a R$ 40 milhões até o dia 8 de agosto.
A negociação ocorreu após uma série de cobranças feitas por entidades médicas, que alertavam para os atrasos nos honorários e possíveis impactos na assistência à população.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e com o Governo do Amazonas para obter esclarecimentos sobre as reivindicações do Simeam, mas, até a publicação desta matéria, não havia recebido retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.






