MANAUS (AM) – Os moradores e trabalhadores do bairro Alvorada, na zona Centro-Oeste de Manaus, nas proximidades da Avenida do Samba, criticam o descarte irregular de resíduos, como garrafas PET, tecidos, papéis e outros materiais. Entre os itens abandonados na área estão carros alegóricos que permanecem no local após o Carnaval.
Para Ranna Melo, de 22 anos, o acúmulo de lixo é prejudicial e atrapalha até as atividades realizadas no espaço.
“É uma falta de respeito. Fica muito lixo, entulho e, às vezes, quando a gente está querendo treinar, eles colocam no meio da pista. Não tem como a gente treinar, a gente tem que cancelar as aulas da autoescola”, explicou a dona de casa.
Ranna Melo diz que o acúmulo de lixo é prejudicial (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Na Avenida do Samba, o acúmulo de resíduos e restos de materiais abandonados também é motivo de reclamação entre os moradores. Para Alexandro Torres, de 44 anos, a situação é vergonhosa e faz com que visitantes confundam o local com um lixão.
“Está feio, bagunçado aqui. O pessoal pensa logo que é um lixão. Já passou aqui muita gente e turista perguntando‘Aqui é um lixão?’. Explicamos que não. Aliás, de vez em quando a gente chega e está pegando fogo aqui. Jogamos água para ver se conseguimos apagar”, desabafou o instrutor de autoescola.
Alexandro diz que turistas confundem área com lixão (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Plano de gerenciamento de residuos
De acordo com o biólogo Daniel Santos, o ideal, em casos de grandes eventos realizados na cidade, como Carnaval, Boi Manaus e outras festas, seria a elaboração de um plano de gerenciamento de resíduos para garantir a destinação correta do lixo e de materiais que podem prejudicar o meio ambiente.
“É uma grande irresponsabilidade desses grandes eventos que não fazem o plano de gerenciamento de resíduos, porque, tendo esse plano, contemplaria a destinação correta dos residuos gerados nestes eventos, sem estar causando ali poluição visual, poluição de água, poluição do solo, através desses descartes irregulares”, explicou o biólogo.
Biólogo aposta em plano de gerenciamento de resíduos contra descarte irregular (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Jailson Sevalho, que trabalha como instrutor na avenida do Samba utilizando o local como pista de treinamento para os alunos de uma autoescola, afirma que os materiais descartados causam transtornos e aumentam o risco de incêndios.
“Inclusive, já aconteceram incêndios aqui na Avenida do Samba. Lá atrás, muitos carros estão danificados por incêndio, e isso causa transtornos. Nessa época de calor, tem muito incêndio. Não sei se são pessoas que tocam fogo, mas a gente não sabe como é que acontece essas situações aqui de incêndio. É muito perigoso”, contou.
Jailson Sevalho relata cados de incêndios na área (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Daniel Santos, além de biólogo, é um dos embaixadores do Instituto Lixo Zero Brasil, coletivo formado por pessoas e instituições que atuam na área ambiental, por meio de projetos voltados à gestão correta dos resíduos e à disseminação do conceito Lixo Zero em Manaus e no Amazonas.
Segundo ele, a população também precisa fazer a sua parte na destinação dos resíduos.
“A população deve separar os resíduos em três categorias: recicláveis, orgânicos para compostagem e rejeitos, que devem ser destinados corretamente ao aterro sanitário. O descarte irregular, principalmente de vidros e metais, pode provocar incêndios durante o período de estiagem e causar grandes problemas para a cidade”, explicou Daniel Santos.
Carros alegóricos abandonados (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Apelo dos moradores
Os moradores e trabalhadores do bairro Alvorada pedem providências para solucionar o que consideram descarte irregular de resíduos após grandes festas e eventos realizados na área da Avenida do Samba.
Ranna Melo reforça o pedido para que os carros alegóricos sejam retirados e que seja feita a limpeza do espaço.
“Para melhorar, pedimos a retirada dos carros alegóricos, a limpeza do pátio, dos lixos, desse tumulto. Isso faria uma grande diferença”, destacou Ranna Melo.
Lixo acumulado na avenida da Avenida do Samba (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Alexandro Torres também cobra a criação de um espaço adequado para guardar os carros alegóricos após os eventos.
“Era bom que os órgãos competentes pudessem retirar um canto para guardar esses carros abandonados que têm aqui. Seria bom demais. Disseram que estão construindo em uma área mais embaixo, mas até hoje, vai passar mais dois anos e nada de construir onde eles iam guardar esses carros abandonados”, lembrou Alexandro.
Resposta Prefeitura
A reportagem solicitou posicionamento da Prefeitura de Manaus que respondeu por meio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), que a destinação, guarda e retirada de carros alegóricos utilizados no período carnavalesco são de responsabilidade da organização do evento, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas e a Liga Independente das Escolas de Samba de Manaus.
A Semulsp esclarece que atua na limpeza urbana regular e na remoção de resíduos sólidos descartados de forma irregular. No entanto, estruturas de grande porte, como carrosalegóricos, não se enquadram como resíduos comuns, exigindo logística específica e definição prévia dos responsáveis legais.
Notas solicitadas
O Governo do Amazonas ainda não se manifestou sobre as denúncias de descarte irregular de resíduos e a permanência dos carros alegóricos na área da Avenida do Samba.
A reportagem também pediu uma nota à Liga Independente das Escolas de Samba de Manaus (LIESA) sobre a situação dos carros alegóricos e a destinação dos materiais utilizados durante o Carnaval. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.