Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O número de motociclistas mortos no trânsito aumentou 15,94% em Manaus em 2026, segundo dados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU). Entre 1º de janeiro e 4 de agosto, 80 motociclistas morreram na capital. No mesmo período de 2025, foram 69.
São 11 mortes a mais em um ano. Os motociclistas representam atualmente 52,6% das 152 pessoas que morreram em acidentes de trânsito em Manaus em 2026.
Colisões e quedas preocupam
Entre os sinistros que terminaram em morte, as colisões lideram o levantamento de 2026, com 55 casos, contra 51 no mesmo período do ano passado, alta de 7,84%.
As quedas tiveram o maior crescimento percentual: passaram de 18 para 26 casos, aumento de 44,44%. Os choques também subiram, de 17 para 19. Já os atropelamentos caíram de 54 para 41, redução de 24,07%.
Assessor parlamentar morre em colisão
Neste sábado, 22/8, o assessor parlamentar Fábio Margarido Moraes, de 45 anos, morreu após perder o controle da motocicleta que pilotava, uma Harley-Davidson.

A colisão teria ocorrido contra o muro de uma escola na avenida Jornalista Umberto Calderaro Filho, no bairro Adrianópolis, na zona Centro-Sul.
A motocicleta chegou a atravessar o canteiro central da avenida e atingiu o muro de uma escola estadual. Com o impacto, o motociclista não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Leste e Norte concentram quase 60% das mortes
A distribuição das mortes mostra uma concentração importante em duas regiões da cidade.
A zona Leste lidera, com 48 mortes, o equivalente a 32,21% do total. A zona Norte aparece em segundo, com 42 mortes, ou 28,19%.

Juntas, as duas zonas concentram 90 das 152 mortes registradas no trânsito, ou 59,2% do total registrado até 4 de agosto.
Na sequência aparecem Centro-Sul, com 21 mortes; Sul, com 18; Oeste, com 14; e Centro-Oeste, com seis.
Autaz Mirim lidera entre as vias
Entre as vias com registro de mortes no trânsito, a avenida Autaz Mirim aparece em primeiro lugar, com 12 casos.
Depois estão a avenida Cosme Ferreira, com oito; a Torquato Tapajós, com sete; e a Margarita, com seis.
As avenidas Brasil, Constantino Nery, Coronel Teixeira, Curaçao, Governador José Lindoso e Rodrigo Otávio registraram quatro mortes cada.
O ranking representa as vias onde ocorreram mortes, e não necessariamente as avenidas com maior número total de acidentes.

Mais de 11 mil motociclistas dão entrada na rede hospitalar
Além das mortes, os números repassados pelo especialista em trânsito Manoel Paiva, com base em dados do IMMU e do Governo do Amazonas, apontam para um número ainda maior de pessoas que sobrevivem aos sinistros.
Segundo Paiva, mais de 11.820 motociclistas deram entrada na rede hospitalar de Manaus entre janeiro e julho de 2026 após acidentes de trânsito.
A média, segundo os dados apresentados pelo especialista, é de 56 motociclistas por dia, ou aproximadamente duas pessoas lesionadas por hora.
No quarto fim de semana de agosto, nos dias 22 e 23, Paiva aponta 180 internações na rede pública de saúde. Desse total, 124 eram motociclistas, o equivalente a 69% das ocorrências.
Falta de infraestrutura e imprudência
Para Manoel Paiva, o cenário está relacionado tanto à infraestrutura da cidade quanto ao comportamento de parte dos condutores.

“São fatores que, efetivamente, nós temos que estancar de uma maneira muito clara e direta esse grupo de membros da mobilidade de Manaus que hoje provocam tantas mortes e tantas perdas”, afirma.
Paiva também destaca o crescimento do uso de motocicletas. Segundo ele, os motociclistas representam 34% da frota de Manaus, impulsionados principalmente pelo aumento de trabalhadores que utilizam o veículo para transporte de passageiros.
“Muitas vezes, a imprudência, através da velocidade, de manobras perigosas ou não permitidas, e do uso de retornos inadequados gera esse problema de uma morte muito significativa”, alerta.
Paiva também defende o fortalecimento do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (PenaTrans).
“Temos que melhorar o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesão do Trânsito para que nós possamos, cada vez mais, alcançar essa meta do acidente zero e garantir que nenhum cidadão seja obrigado a pagar com a própria vida a sua integridade física”, diz.






