Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O advogado trabalhista Luiz Ossuosky reagiu, nesta terça-feira, 19/8, a um vídeo publicado pelo secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Luís Alberto Saraiva, e cobrou explicações sobre os desligamentos de profissionais da rede estadual de saúde.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Ossuosky criticou a manifestação do secretário e afirmou que as demissões são decisões do governo.
“Teve até secretário fazendo vídeo para tentar justificar, o que não tem nenhuma justificativa. Exoneração é, sim, uma decisão do governo. Demitem sem qualquer motivo e por qualquer motivo”, afirmou.
O advogado disse que assumiu a defesa dos trabalhadores e que pretende cobrar o cumprimento dos direitos trabalhistas. “Não vou aceitar que nenhum direito seja violado e que pais e mães de família sejam descartados sem receber o que é direito deles por lei”, declarou.
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Segundo Ossuosky, dezenas de profissionais já foram desligados. Ele também afirmou que, entre os trabalhadores atingidos, estão pessoas que teriam questionado irregularidades na rede estadual.
“A prova são as dezenas de trabalhadores que já foram demitidos. Demitem todos aqueles que tentam se levantar contra as irregularidades e que não conseguem ficar calados”, afirmou.
O advogado também citou os desligamentos de trabalhadores da Associação de Apoio à Saúde do Amazonas (AADESAM) e afirmou que a situação pode se repetir com profissionais vinculados à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM).
“Da mesma forma que demitiram mais de 400 trabalhadores da AADESAM, querem fazer a mesma coisa com os profissionais da saúde. E exatamente do mesmo jeito, demitindo sem pagar nada”, disse.
Ossuosky ainda questionou o impacto de uma mobilização maior entre os profissionais da saúde. “Se 40 técnicos e enfermeiros já fizeram tudo isso, o que 4 mil podem fazer no dia 21?”, questionou.
Secretário anuncia ‘boa notícia’ aos servidores
A reação do advogado ocorreu após o secretário Luís Alberto Saraiva publicar um vídeo nas redes sociais. Na gravação, divulgada na terça-feira, 18, Saraiva aparece ao lado de representantes de sindicatos da área da saúde e afirma que uma “boa notícia” será anunciada aos servidores.
“Estamos aqui reunidos com os sindicatos dos servidores da saúde. Aqui, alguns dos representantes dos maiores sindicatos de saúde do Estado do Amazonas, onde discutimos assuntos importantes para a melhoria e dignidade do servidor de saúde”, afirmou o secretário.
Saraiva não detalhou qual medida será anunciada, mas disse que o governo deve divulgar novidades em breve. “Em um curto período, nós vamos fazer uma importante divulgação de uma boa notícia para os sindicatos da saúde. Aguardem”, declarou.
Trabalhadores protestaram em frente ao MPT
Na segunda-feira, 17, servidores da rede estadual de saúde realizaram um protesto em frente ao Ministério Público do Trabalho (MPT), no bairro Flores, zona Centro-Sul de Manaus.
Os trabalhadores cobraram esclarecimentos sobre desligamentos recentes e contratos de profissionais que atuam na rede estadual.
Durante o ato, uma servidora relatou ter sido comunicada sobre o desligamento por telefone. “Quando foi no dia 12, recebi uma ligação que eu tinha sido desligada com documento. Me senti muito constrangida. Essa foi a pior decepção da minha vida”, relatou em entrevista ao Rios de Notícias.
Ossuosky, que acompanha parte dos trabalhadores, afirmou que os desligamentos podem representar perseguição ou retaliação contra profissionais que recorreram à Justiça para cobrar direitos.
Segundo o advogado, supervisores de unidades de saúde estariam sendo orientados a levantar nomes de trabalhadores que ingressaram com ações judiciais contra o Estado, inclusive em processos relacionados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
“A Secretaria de Saúde do Amazonas persegue os trabalhadores que ingressaram na Justiça e obtiveram direito a receber o seu FGTS”, afirmou.
O advogado também criticou uma possível substituição dos profissionais por empresas terceirizadas e defendeu a permanência dos trabalhadores na rede estadual.
Mobilização
Ossuosky afirmou que a mobilização dos profissionais deve continuar e destacou a repercussão do protesto realizado na segunda-feira.
“A enfermagem ainda não sabe o poder que tem. Ontem, com apenas 40 técnicos e enfermeiros, não teve um portal de notícias que não tenha falado sobre a situação que está ocorrendo na área da saúde. E teve muita gente que tremeu”, afirmou.
Segundo o advogado, os trabalhadores que participam das manifestações buscam melhores condições de trabalho e valorização da categoria.
Ele também voltou a criticar os desligamentos e afirmou que profissionais que questionam irregularidades estariam sendo alvo de demissões.
“E a prova são as dezenas de trabalhadores que já foram demitidos. Demitem todos aqueles que tentam se levantar contra as irregularidades que vêm acontecendo e que não conseguem ficar calados. Tentam, mais uma vez, calar aqueles que têm coragem de buscar uma enfermagem mais forte e valorizada”, declarou.
Durante a manifestação, o advogado também comparou a situação dos profissionais da saúde aos desligamentos ocorridos na AADESAM.
Segundo Ossuosky, mais de 400 trabalhadores da associação foram demitidos e, de acordo com a avaliação dele, o mesmo poderia ocorrer com profissionais ligados à SES-AM.
A afirmação, no entanto, não foi acompanhada, no material analisado, de documentos que comprovem que os atuais desligamentos tenham relação com uma eventual substituição por trabalhadores terceirizados.
Posicionamento
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas foi procurada para comentar as acusações, os desligamentos citados pelos trabalhadores e a possibilidade de substituição dos profissionais por empresas terceirizadas.
O espaço permanece aberto para manifestação da secretaria e para eventuais esclarecimentos sobre as medidas anunciadas pelo secretário Luís Alberto Saraiva.






