Júnior Almeida – Rios de Notícias
RIO DE JANEIRO (RJ) – A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira, 18/8, aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família e também pela assessoria da artista. Até o momento, a causa da morte não foi divulgada.
Considerada uma das grandes damas da dramaturgia brasileira, Glória Menezes construiu uma carreira de mais de seis décadas, tornando-se um dos rostos mais conhecidos da televisão nacional. Ao longo da trajetória, participou de cerca de 40 produções televisivas, além de trabalhos importantes no teatro e no cinema.
Da TV Tupi ao reconhecimento nacional
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934, Nilcedes Soares Guimarães estudou piano antes de se dedicar às artes dramáticas. Na década de 1950, ingressou na Escola de Artes Dramáticas, mas deixou o curso antes da conclusão.
Sua carreira profissional começou no teleteatro da TV Tupi, em um período em que a televisão brasileira ainda dava os primeiros passos. Em 1959, participou de “Um Lugar ao Sol”, da TV Excelsior, sua primeira novela. No ano seguinte, já utilizando o nome artístico Glória Menezes, estreou no teatro em “As Feiticeiras de Salém”, de Arthur Miller, sob direção de Antunes Filho.
O reconhecimento também chegou ao cinema. Em 1962, Glória integrou o elenco de “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte e baseado na obra de Dias Gomes. O filme conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro, projetando o cinema brasileiro internacionalmente.
Parceria histórica com Tarcísio Meira
Em 1963, Glória Menezes protagonizou “2-5499 Ocupado”, novela da TV Excelsior em que contracenou com Tarcísio Meira. A produção marcou também o início de uma das mais conhecidas histórias de amor da televisão brasileira.
Glória e Tarcísio se casaram em outubro daquele ano e permaneceram juntos por 59 anos, até a morte do ator, em 2021. Além da vida pessoal, os dois construíram uma longa parceria artística, tornando-se um dos casais mais emblemáticos da dramaturgia nacional.
Na televisão, trabalharam juntos em produções como “Sangue e Areia”, “Rosa Rebelde”, “Espelho Mágico”, “Guerra dos Sexos”, “Tarcísio & Glória”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.
Personagens que ficaram na memória
Glória Menezes atravessou diferentes fases da televisão brasileira e demonstrou versatilidade em papéis dramáticos, românticos e cômicos.
Um de seus maiores trabalhos foi em “Irmãos Coragem”, de 1970, quando interpretou Lara, personagem que apresentava três personalidades distintas. A atuação tornou-se uma das mais lembradas da carreira da atriz.
Em “Brega & Chique”, de 1987, viveu uma dona de casa que vê sua vida mudar depois de receber uma grande herança. Três anos depois, em “Rainha da Sucata”, interpretou Laurinha Figueroa, uma das vilãs mais marcantes da teledramaturgia brasileira.
A cena em que Laurinha se joga do alto de um prédio na Avenida Paulista entrou para a história das novelas e permanece entre os momentos mais lembrados da televisão brasileira.
Glória também esteve em produções como “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino”, “A Favorita” e “Totalmente Demais”. Este último trabalho foi sua última novela.
Teatro e cinema
Apesar da enorme popularidade alcançada na televisão, Glória Menezes nunca se limitou às novelas.
No teatro, participou de montagens importantes e dividiu o palco diversas vezes com Tarcísio Meira. Em “Tudo Bem no Ano Que Vem”, de Bernard Slade, o casal protagonizou uma comédia que se tornou um dos trabalhos teatrais mais lembrados da parceria.
A atriz também encarou transformações físicas para personagens. Em “Jornada de um Poema”, raspou a cabeça para interpretar uma professora com câncer. Anos depois, repetiu a transformação para viver uma monja tibetana em “Jóia Rara”.
No cinema, além de “O Pagador de Promessas”, participou de produções como “Se Eu Fosse Você…”, de 2006, dirigido por Daniel Filho.
Uma das últimas grandes damas da televisão
A morte de Glória Menezes encerra uma trajetória que se confunde com a própria história da televisão brasileira. Ela começou quando as novelas ainda estavam em formação e permaneceu em atividade durante décadas, acompanhando as transformações tecnológicas, estéticas e narrativas da dramaturgia.
Poucos dias antes de sua morte, Glória havia sido homenageada na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, em cerimônia realizada em 12 de agosto. A atriz estava entre os nomes celebrados pela emissora por sua contribuição à televisão brasileira.
Glória Menezes deixa filhos, netos e uma obra que atravessa gerações. Sua trajetória, marcada por personagens populares, grandes trabalhos no teatro e no cinema e pela histórica parceria com Tarcísio Meira, permanece como parte fundamental da memória artística do país.






