Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – “Estamos doentes e abandonados”. O desabafo é da enfermeira Grazy Souza, que participou, na manhã desta segunda-feira, 17/8, de uma manifestação de servidores da rede estadual de Saúde em frente ao Ministério Público do Trabalho (MPT), na Avenida Mário Ypiranga, em Manaus.
Durante o ato, a profissional cobrou diretamente o governador Roberto Cidade (União), pediu uma negociação com o Governo do Amazonas e criticou os desligamentos de trabalhadores da rede.
“Estamos doentes, estamos abandonados pelo poder público e você [governador Roberto Cidade] tem a cara de pau de vir demitir os profissionais, pessoas que deram a vida para estar lá nos hospitais. Eu não aguento mais, eu estou nessa luta, sabe? Isso é um descaso, isso é um desrespeito com os técnicos de enfermagem e os enfermeiros”, afirmou.
Saiba mais: Servidores protestam contra desligamentos na Saúde do Amazonas
Segundo Grazy, profissionais que atuam há anos na Saúde estão sendo desligados enquanto a categoria reivindica direitos trabalhistas, o pagamento do piso da enfermagem e melhores condições de trabalho.

A enfermeira também questionou o pagamento do piso da enfermagem e criticou os desligamentos durante o período eleitoral.
“Estamos sem receber, você não paga o piso, aí você vem demitir os colegas em época de eleição. Você deveria criar vergonha na sua cara”, declarou, dirigindo-se ao governador Roberto Cidade.
‘Estamos abandonados’
Grazy afirmou que os profissionais enfrentam dificuldades financeiras e falta de apoio do poder público.
“Hoje o Estado do Amazonas é o pior Estado que paga os profissionais da saúde, estamos cansados e doentes mentalmente. Hoje a gente não tem um amparo do poder público, nem municipal, nem estadual, nem federal. Estamos abandonados”, disse.

Segundo a enfermeira, alguns trabalhadores estariam enfrentando dificuldades para manter despesas básicas após os desligamentos.
“Vocês querem demitir as pessoas sem avisar, sem ter um pingo de respeito, tem colega nosso que está sendo expulso das suas casas porque não tem dinheiro para pagar aluguel. Outro não tem um quilo de arroz hoje para dar para os seus filhos comerem”, relatou.
Servidores denunciam desligamentos
Os profissionais que participaram do ato afirmam que trabalhadores com anos de atuação na rede estadual estariam sendo retirados das escalas ou desligados sem justificativas individuais.
A categoria também afirma que parte dos desligamentos teria ocorrido após trabalhadores recorrerem à Justiça para cobrar direitos, entre eles o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
O advogado Luiz Henrique Zubaran Ossuosky Filho, que acompanha os profissionais, classificou os desligamentos como possível perseguição ou retaliação.
“Atualmente, eles estão fazendo levantamento nas unidades hospitalares de quem ingressou com ações judiciais. Existe uma lista de aproximadamente 600 nomes que, segundo as informações, seria para desligamento desses trabalhadores, e os desligamentos já começaram. Nós entendemos que esse desligamento é arbitrário, é uma perseguição, e esses trabalhadores querem o direito de receber o seu FGTS e continuar trabalhando”, afirmou.
A denúncia foi apresentada ao Ministério Público do Trabalho, que deverá analisar as informações levadas pelos trabalhadores.
Governo é procurado
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou o Governo do Amazonas e a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) para comentar as denúncias e os desligamentos apontados pelos servidores.
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação dos órgãos. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.






