Redação Rios
BRASIL – Entidades de imprensa criticaram, nesta terça-feira, 11/8, a operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens que citaram o ministro Flávio Dino.
Cutrim, ex-secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão, foi alvo de um mandado de busca e apreensão. A operação foi solicitada pela Polícia Federal e teve aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Luís Pablo publicou, em novembro de 2025, reportagens sobre a suspeita do uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por familiares de Dino. Segundo uma das publicações, um Toyota SW4 destinado ao uso oficial de desembargadores teria sido utilizado em deslocamentos particulares da família do ministro. A reportagem não está mais disponível.
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Em nota conjunta, a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) manifestaram “profunda preocupação” com a operação.
“As ações judiciais que quebram o sigilo da fonte não têm amparo constitucional e abrem precedentes que ameaçam a liberdade de imprensa, amparada pela Constituição de 1988”, afirmaram as entidades.
As associações também citaram o artigo 5º, inciso XIV, da Constituição, que garante ser “resguardado o sigilo da fonte quando necessário para o exercício profissional”.
Para as entidades, a medida coloca em risco a proteção constitucional das fontes jornalísticas. Elas defenderam que eventuais questionamentos sobre reportagens sejam tratados pelos mecanismos previstos em lei, como direito de resposta e indenização.
“Casos de questionamentos a reportagens devem ser tratados dentro da lei, que prevê direito de resposta e indenizações. A violação do sigilo do profissional e de suas fontes leva a intimidações contra a imprensa que não condizem com o Estado Democrático de Direito e o livre exercício do jornalismo”, diz a nota.
O Sindjor-MA (Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Maranhão) e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) também divulgaram nota de repúdio.
As entidades cobraram esclarecimentos sobre o acesso às comunicações do jornalista, a proteção de outras fontes que possam ser identificadas no material apreendido e a preservação dos equipamentos jornalísticos protegidos por sigilo.
Entenda o caso
Em 10 de março de 2026, Moraes autorizou uma operação da Polícia Federal contra Luís Pablo. Na ocasião, celulares e computadores usados pelo jornalista foram apreendidos. Em abril, o ministro determinou a devolução dos equipamentos.
A análise dos aparelhos passou a integrar a investigação sobre a origem das informações publicadas pelo jornalista.
O advogado José Berilo de Freitas Leite, que defende Cutrim, afirmou que a nova ordem de busca e apreensão foi baseada em informações encontradas nos equipamentos de Luís Pablo.
Segundo Berilo, o material indicou que Cutrim repassava informações ao jornalista. A decisão também cita, de acordo com o advogado, a participação do advogado de Luís Pablo nas comunicações.






