Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Fala Manaus desta semana foi às ruas para ouvir a população sobre os principais problemas enfrentados na saúde pública, especialmente em Manaus. O tema ganhou ainda mais repercussão nesta semana após o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), que, ao lado do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Federação Médica Brasileira (FMB), reforçou a cobrança ao Governo do Estado pela regularização dos pagamentos atrasados e por melhorias nas condições de trabalho na rede estadual.
Segundo as entidades, os atrasos salariais, as sucessivas trocas de empresas terceirizadas e os problemas estruturais nas unidades de saúde têm comprometido o atendimento à população e as condições de trabalho dos profissionais.

A estagiária de Direito Neiliane Lima, de 26 anos, afirma conhecer de perto essa realidade. Segundo ela, uma amiga que atua no Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta meses de atraso no pagamento.
“Tenho uma amiga que trabalha no SUS e faz alguns meses que não recebe. Quando um funcionário vai reclamar da falta de pagamento, acaba sendo demitido. É como se fosse uma ameaça: tem que trabalhar calado, mesmo sem salário. As pessoas reclamam do atendimento ruim, mas como vai ter funcionário se o pagamento está atrasado há meses? Trabalhar de graça é complicado”, desabafou.

Para o aposentado Francisco Nunes, morador do bairro Cidade de Deus, na zona Norte de Manaus, a valorização dos profissionais passa pelo pagamento em dia.
“Se a turma recebesse direitinho, o atendimento seria bem melhor. Quem não recebe não trabalha satisfeito, e isso acaba refletindo no atendimento. A partir do momento em que você presta um serviço, tem que receber por ele”, afirmou.
‘Fila da morte’
Além das denúncias sobre os atrasos salariais, outro problema recorrente é a demora no Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), conhecido por muitos pacientes como a “fila da morte”.
O tema, inclusive, passou a integrar o discurso de alguns candidatos ao Governo do Amazonas, que prometem reduzir ou zerar a fila de espera por consultas, exames e cirurgias.

A diarista Jacimeire Costa, de 46 anos, moradora do conjunto Castanheira, na zona Leste de Manaus, conta que a mãe espera há mais de seis meses por uma cirurgia no joelho.
“Tem muita gente procurando fazer plano de saúde porque está difícil depender da saúde pública. Minha mãe espera há mais de seis meses por uma cirurgia no joelho e não consegue. Sempre aparece alguém na frente dela. Ela sente muitas dores, praticamente não sai mais de casa. A fila está muito grande”, relatou.
O aposentado Francisco Nunes também enfrenta a demora no Sisreg. Há mais de um ano, ele aguarda uma consulta com um oftalmologista.
“Eu mesmo estou esperando há mais de um ano por uma consulta com oftalmologista. Não tem o que fazer, só esperar. Também não acredito que esses candidatos vão zerar a fila. Essa promessa é antiga. Entram políticos, saem políticos, e nada se resolve“, criticou.
Governo fecha acordo com médicos
Por meio de nota enviada nesta quinta-feira, 6/8, o Governo do Amazonas informou que firmou, na quarta-feira, 5, um acordo com representantes de cooperativas médicas para regularizar os pagamentos referentes aos meses de maio e junho de 2026. A previsão é que os valores sejam quitados até o fim de agosto.
Durante a reunião, também ficou definido que novas rodadas de negociação serão realizadas para discutir um cronograma de pagamento dos débitos de exercícios anteriores.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), no dia 31 de julho foram pagos mais de R$ 88 milhões diretamente aos médicos da rede estadual. Entre abril e agosto de 2026, o Estado informou ter destinado cerca de R$ 276 milhões ao pagamento de serviços médicos, como parte do processo de reorganização financeira da saúde.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS solicitou também um posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) sobre as denúncias apresentadas. O espaço permanece aberto para manifestação.






