Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um dossiê protocolado pelo vereador Coronel Rosses (PL) na Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) pede a instauração de um inquérito civil para apurar possíveis atos de improbidade administrativa relacionados a contratos firmados pelo Governo do Amazonas com as empresas Navegação Cidade Ltda. e R R Serviços de Transporte e Navegação Ltda.
A representação também cita o governador e pré-candidato à reeleição Roberto Cidade (União Brasil), o ex-secretário de Estado de Segurança Pública, Marcus Vinicius Oliveira de Almeida, e o atual secretário da pasta, coronel Anézio Brito de Paiva.
O portal Rios de Notícias teve acesso à íntegra do documento, protocolado em 23 de junho de 2026, que reúne contratos, atas de registro de preços, termos aditivos, empenhos e demais documentos públicos. Segundo o vereador, os instrumentos somam R$ 159.676.642,12 em contratações realizadas por diversos órgãos estaduais e apresentam elementos que justificariam uma investigação do Ministério Público.
“Ela atingiu o ápice da imoralidade em abril de 2026, quando ele assumiu a cadeira de governador interino e usou a estrutura do Estado para uma manobra de marketing. Publicou uma nota oficial prometendo o cancelamento imediato dos contratos para evitar conflito de interesse.”

Representação aponta possível grupo econômico
Na petição encaminhada ao MP-AM, Rosses sustenta que as empresas Navegação Cidade Ltda. e R R Serviços de Transporte e Navegação Ltda. atuariam como um “grupo econômico de fato”, compartilhando interesses empresariais e expandindo suas atividades para diferentes áreas da administração estadual.
Segundo o parlamentar, as empresas passaram a concentrar contratos em setores distintos, como transporte fluvial, logística, locação de veículos, monitoramento eletrônico, aluguel de imóveis, transporte de areia para sistemas de abastecimento de água e serviços destinados à segurança pública.
A representação também menciona a existência de vínculos familiares e empresariais associados à família Cidade, argumento utilizado pelo vereador para defender a abertura de uma investigação sobre eventual favorecimento nas contratações públicas.
Contratos somam R$ 159,6 milhões
De acordo com o levantamento apresentado no documento, os contratos, atas de registro de preços, aditivos e demais instrumentos analisados alcançam R$ 159.676.642,12.
A maior concentração de recursos apontada pelo documento está na Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM), que reúne aproximadamente R$ 94,8 milhões em contratos.

Na sequência aparecem a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), com cerca de R$ 34,7 milhões; a AADESAM, com R$ 20,7 milhões; a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), com R$ 5,2 milhões; e a COSAMA, com aproximadamente R$ 2,4 milhões. O dossiê também relaciona contratos envolvendo a Defesa Civil, SEPROR, SEAS, SEAP e UGP-PADEAM.
Segundo Rosses, esses valores ainda não incluem contratos da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), que deverão ser objeto de uma nova representação específica.
Contratos milionários concentram maior volume na SSP
Entre os documentos anexados à representação está a Ata de Registro de Preços nº 0075/2025-1, que prevê uma estimativa global de R$ 61,05 milhões para a locação de viaturas destinadas à Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM).
O dossiê também relaciona um contrato de R$ 6,69 milhões para locação de SUVs descaracterizadas, outro de R$ 21,18 milhões, firmado pelo Consórcio Cidade-Logic Pro para locação de minivans equipadas com sistema de monitoramento, além de um contrato para locação de balsa com empurrador.
Somados aos aditivos, esses instrumentos fazem com que apenas a SSP concentre cerca de R$ 94,8 milhões em contratações citadas na representação. Segundo Rosses, esse volume de recursos justifica uma apuração mais aprofundada sobre os procedimentos adotados.

O “Mês de Ouro”
Outro ponto destacado no documento é o período entre 4 e 16 de junho de 2025, classificado pelo vereador como o “Mês de Ouro”.
Segundo a representação, nesse intervalo de apenas 12 dias foram homologados contratos superiores a R$ 30 milhões, envolvendo a locação de SUVs, minivans e micro-ônibus destinados à área da Segurança Pública.


Para o parlamentar, a concentração das homologações em um curto espaço de tempo demonstra um padrão de contratações que merece ser investigado pelo Ministério Público.
Suspensão dos contratos também entra na mira
Outro ponto abordado pelo vereador envolve o anúncio feito por Roberto Cidade quando assumiu interinamente o Governo do Amazonas, em abril de 2026. Na ocasião, o Executivo informou que contratos mantidos com empresas ligadas à família do então governador seriam suspensos para evitar questionamentos sobre eventual conflito de interesses.
Rosses afirma, porém, que a equipe responsável pelo levantamento consultou os atos oficiais e não encontrou documentos que comprovassem a efetiva suspensão ou rescisão dos contratos.
Segundo o vereador, também não foram localizados registros de novas licitações nem documentos que demonstrassem a substituição das empresas anteriormente contratadas. Diante disso, ele pede que o Ministério Público apure se a medida anunciada foi realmente colocada em prática.
Rosses fala em ‘manobra de marketing’
Durante pronunciamento na Câmara Municipal de Manaus (CMM), no dia 30 de junho, Coronel Rosses afirmou que o anúncio da suspensão dos contratos teria sido apenas uma estratégia de comunicação.
O vereador também declarou que analisou os Diários Oficiais em busca de documentos que comprovassem a suspensão anunciada.
“Nada substituiu as empresas do atual governador. O sistema apenas engatou uma nova marcha às escuras.”
Ainda durante o pronunciamento, Rosses afirmou que os contratos identificados representam um elevado volume de recursos públicos.
“Somente nesses contratos o grupo familiar alcançou a cifra de R$ 159.676.000, quase R$ 160 milhões retirados do cidadão de bem.”
O que o vereador pede ao MP
Nos pedidos apresentados ao Ministério Público, Rosses requer a instauração de um inquérito civil para aprofundar a investigação sobre os contratos citados na representação.
O parlamentar solicita a requisição da íntegra dos processos administrativos, contratos, atas de registro de preços, notas de empenho, pareceres jurídicos e documentos societários das empresas mencionadas. Também pede a realização de perícia técnico-contábil para verificar eventual sobrepreço ou superfaturamento.
Além disso, a representação requer que o MP investigue a existência de um possível grupo econômico entre as empresas Navegação Cidade Ltda. e R R Serviços de Transporte e Navegação Ltda. Caso sejam constatadas irregularidades, o vereador pede a responsabilização dos envolvidos e eventual ressarcimento ao erário.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou o Governo do Amazonas, o governador Roberto Cidade e a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM) para comentar os apontamentos feitos na representação protocolada pelo vereador Coronel Rosses no Ministério Público do Amazonas.
Entre os questionamentos encaminhados estão a manutenção dos contratos citados no dossiê, a alegação de eventual grupo econômico entre as empresas, os vínculos mencionados na representação e a efetiva implementação da suspensão dos contratos anunciada pelo Governo do Amazonas em abril de 2026.
Até a publicação desta reportagem, não houve retorno dos citados. O espaço permanece aberto para manifestações e será atualizado caso haja resposta.






