Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A crise enfrentada pela rede pública de saúde do Amazonas ganhou novos desdobramentos nesta semana após uma troca de acusações envolvendo o governador e pré-candidato a reeleição Roberto Cidade (União Brasil), o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), e a diretora da Rede Pré-Hospitalar Móvel e Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Helen Assunção.
O embate teve início na quarta-feira, 29/7, durante uma coletiva de imprensa convocada pelo Governo do Amazonas para anunciar a ampliação dos atendimentos em neuropediatria. Na ocasião, Roberto Cidade afirmou que a Prefeitura de Manaus estaria contribuindo para a superlotação dos hospitais estaduais ao direcionar ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para unidades específicas, principalmente o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto.
Horas depois, Renato Junior publicou um vídeo gravado no SPA da Galileia, na zona Norte de Manaus, mostrando problemas estruturais na unidade e responsabilizando o Governo do Estado pela situação da saúde pública.
Ainda na quarta-feira, a diretora da Rede Pré-Hospitalar Móvel e Sanitária da Semsa e gestora do Samu Manaus, Helen Assunção, divulgou um vídeo explicando o funcionamento da Central de Regulação de Urgências e apresentou dados das remoções realizadas pelo serviço para contestar as declarações do governador.
Roberto Cidade diz que ambulâncias foram concentradas em um único hospital
Durante a coletiva, Roberto Cidade afirmou que o Governo do Amazonas identificou duas situações em que ambulâncias do Samu permaneceram concentradas em apenas uma unidade hospitalar, enquanto outros hospitais estaduais registravam baixa demanda.
Segundo o governador, a situação teria provocado sobrecarga no atendimento e comprometido o funcionamento da rede estadual. Ele também afirmou que equipes da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) constataram que pacientes de diferentes zonas da capital estavam sendo encaminhados ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, mesmo com outras unidades mais próximas.
“É desumano quando o prefeito do caos tenta provocar o caos na cidade de Manaus. Nós identificamos ambulâncias sendo direcionadas para um único hospital enquanto outros prontos-socorros estavam vazios. Isso aconteceu duas vezes e havia uma determinação para que os pacientes fossem levados para aquela unidade específica”, afirmou.
Renato Junior visita SPA da Galileia e responsabiliza o Estado
Em resposta, Renato Junior divulgou um vídeo gravado no SPA da Galileia, onde mostrou o setor de raio-X sem funcionamento, problemas de iluminação e denunciou a falta de insumos básicos.
Segundo o prefeito, vítimas de acidentes deixam de ser encaminhadas para determinadas unidades porque elas não possuem estrutura mínima para realizar exames ou atender casos de trauma.
Renato afirmou que o aparelho de raio-X da unidade está parado há mais de um mês, criticou a ausência de copos descartáveis e acusou o Governo do Amazonas de atrasar pagamentos dos profissionais da saúde.
“Ele não consegue assumir, não consegue resolver, porque falta fazer gestão. Lamentavelmente, estamos sem governador no Amazonas. Se ele tiver qualquer dúvida sobre a situação da saúde, eu posso entrar dentro dos hospitais fazendo live e mostrar para ele e para toda a população o que está acontecendo”, declarou.
Na manhã desta quinta-feira, 30/7, durante entrevista a uma emissora de rádio local, o prefeito voltou a endurecer o discurso e afirmou que a crise na saúde é consequência da falta de gestão do Governo do Estado.
Diretora do Samu apresenta dados e rebate acusações
Helen Assunção afirmou que as acusações sobre um suposto direcionamento político das ambulâncias não correspondem ao funcionamento técnico da Central de Regulação.
Segundo a diretora, as remoções obedecem a critérios médicos, à disponibilidade de leitos e ao perfil assistencial de cada unidade hospitalar.
Ela apresentou os seguintes números de pacientes removidos pelo Samu:
- Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo: 5.935 pacientes;
- Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto: cerca de 5 mil pacientes;
- Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio: 3.987 pacientes.
De acordo com Helen, os dados demonstram que o Platão Araújo recebeu mais pacientes do que o Hospital 28 de Agosto, contrariando a versão apresentada pelo Governo do Estado.
Ela explicou ainda que o Hospital João Lúcio possui perfil específico para atendimento de pacientes com neurotrauma, razão pela qual nem todos os casos podem ser encaminhados para a unidade.
“Existe uma triagem técnica. Há pacientes que não apresentam trauma neurológico e, por isso, não são encaminhados ao João Lúcio. Também existem momentos em que determinadas unidades informam não possuir leitos disponíveis para receber novos pacientes”, explicou.
Troca de acusações se intensifica
Os embates entre Roberto Cidade e Renato Junior vêm se intensificando desde o início das duas gestões.
Em junho deste ano, Renato cobrou providências do Governo do Estado na área da segurança pública e afirmou que a população vive sob constante medo da criminalidade.
Na ocasião do lançamento da Operação Cheia 2026, Roberto Cidade rebateu as críticas e acusou o prefeito de tentar transferir responsabilidades da gestão municipal para o Estado, especialmente em relação à infraestrutura urbana e aos problemas causados pelos buracos nas ruas da capital.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas para solicitar posicionamento sobre as declarações. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações dos órgãos citados.






