MANAUS (AM) – A greve relâmpago dos rodoviários, que paralisou 100% da frota de ônibus de Manaus nesta semana, terminou após dois dias, mas deixou uma crise que vai além do transporte coletivo. O atraso no pagamento dos salários e do vale-alimentação dos trabalhadores desencadeou um embate entre o Sindicato dos Rodoviários, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus, em um momento de forte tensão política às vésperas do período eleitoral.
Durante a paralisação, milhares de passageiros foram surpreendidos com os ônibus recolhidos às garagens e enfrentaram dificuldades para chegar ao trabalho, à escola e a outros compromissos do dia a dia. Mesmo com o fim da greve, o assunto continua repercutindo entre os usuários do transporte coletivo.
Nesta quinta-feira, 23/7, a reportagem do Rios de Notícias esteve no Terminal 2, no bairro Cachoeirinha, zona Sul da capital, e ouviu passageiros sobre a possibilidade de uma nova paralisação.
Passageiros temem uma nova greve em agosto – (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Entenda o impasse
O Sindicato dos Rodoviários afirma que a paralisação foi motivada pelos atrasos recorrentes no pagamento dos salários e do vale-alimentação da categoria. Já o Sinetram atribuiu o problema à falta de repasses do Governo do Amazonas referentes ao subsídio do transporte coletivo.
Em meio ao impasse, o Governo do Estado informou que realizou, na última terça-feira, 21, o repasse de R$ 18 milhões ao sistema de transporte coletivo. Após negociações entre as partes, a greve foi encerrada.
Apesar do acordo, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, alertou que uma nova paralisação poderá ocorrer no dia 6 de agosto caso os trabalhadores não recebam os salários e benefícios dentro do prazo estabelecido.
Passageiros dividem opiniões
No Terminal 2, os usuários do transporte coletivo demonstraram compreender a reivindicação dos rodoviários, mas também demonstraram preocupação com os impactos de uma possível nova greve.
O autônomo Francisco Oliveira, que trabalha nas proximidades do terminal, afirmou que a categoria tem o direito de reivindicar seus pagamentos.
“Eu acho que é justo fazer a greve deles. Se não receberem, não podem trabalhar. Eles têm contas para pagar, têm família para sustentar. Acho que têm direito de lutar pelo que é deles.”
Francisco Oliveira afirma que a categoria precisa lutar por seus direitos – (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Já a babá venezuelana Lucrécia de Carmen teme que uma nova paralisação volte a prejudicar quem depende exclusivamente dos ônibus para trabalhar.
“As pessoas são pais e mães de família. Todos trabalham porque precisam. Se tiver greve de novo no dia 6 de agosto, como é que vai ficar? É complicado, porque a gente não vai poder viajar de ônibus.”
Lucrécia de Carmen teme uma nova paralisação na capital amazonense – (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
O aposentado José Francisco Ferreira acredita que tanto os trabalhadores quanto a população precisam ter seus direitos preservados.
“Os motoristas têm direito de trabalhar e receber o salário deles, mas a população também tem direito ao transporte. Os dois lados têm razão. As pessoas precisam do ônibus para trabalhar, visitar parentes ou resolver qualquer emergência.”
José Francisco Ferreira defende direitos iguais para a categoria e passageiros – (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Cronologia da greve
A crise no transporte coletivo se arrasta desde o início de julho e culminou na paralisação total da frota nesta semana.
22 de julho – Após acordo entre empresas e rodoviários, a greve é encerrada. No mesmo dia, o Governo do Amazonas confirma o repasse de R$ 18 milhões ao sistema de transporte coletivo. Mesmo com o fim do movimento, o Sindicato dos Rodoviários mantém o alerta para uma nova paralisação no dia 6 de agosto caso haja novos atrasos no pagamento dos trabalhadores.
1º de julho – Rodoviários aprovam estado de greve devido aos atrasos salariais.
Terminal 2, no bairro Cachoeirinha, na zona Sul de Manaus (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
7 de julho – O Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) determina multa de até R$ 100 mil para empresas que atrasarem o pagamento dos trabalhadores.
20 de julho – A categoria paralisa 100% da frota de ônibus, provocando transtornos para milhares de passageiros.
21 de julho – A Justiça determina a circulação mínima da frota durante a greve, enquanto a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) suspende as atividades presenciais devido aos impactos no transporte.