Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Governo do Amazonas informou, na noite desta terça-feira, 21/7, que realizou o pagamento de R$ 18 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), valor destinado ao custeio da meia-passagem dos estudantes da rede estadual. O depósito foi confirmado pelo vice-governador Serafim Corrêa, que divulgou o comprovante da transferência nas redes sociais.
Segundo Serafim, os recursos foram repassados pela Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) e pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). O montante corresponde a R$ 3 milhões por mês, referentes ao período de fevereiro a julho deste ano, conforme decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública de Manaus, que fixou em R$ 2,50 o valor da meia-passagem para alunos da rede estadual.
“Conforme prometido, o Governo do Amazonas acaba de depositar na conta do SINETRAM o valor de R$ 18.000.000,00 (dezoito milhões de reais). Fizemos a nossa parte. Assunto encerrado. Vamos em frente!”, publicou o vice-governador.
Pouco depois, o governador Roberto Cidade (União) também se manifestou nas redes sociais. Sem citar diretamente o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), o chefe do Executivo estadual afirmou que prefere resolver problemas por meio do diálogo e fez uma provocação.
“Quem me conhece sabe que sou um homem de palavra e sempre estou aberto ao diálogo. Não brigo com pessoas, brigo com os problemas. Os problemas devem ser resolvidos com firmeza e serenidade, pensando nas pessoas. Fazer confusão numa hora dessas é mais inútil que água de salsicha”, escreveu.

A declaração ocorre após uma troca de acusações entre Estado e Prefeitura em meio à crise envolvendo o Passe Livre Estudantil e o financiamento do transporte coletivo.
Renato desafiou o governo
Horas antes da confirmação do pagamento, durante coletiva de imprensa no Centro de Cooperação da Cidade (CCC), o prefeito Renato Junior acusou o Governo do Amazonas de não cumprir integralmente os repasses destinados ao Passe Livre Estudantil.
Segundo ele, o Estado teria quitado apenas parte dos valores referentes a 2025 e ainda não teria feito nenhum repasse relacionado a 2026.
“O Governo do Estado não mandou um repasse para o Passe Livre Estudantil. Pagou apenas 60% do valor e ainda deve 40%, referente ao ano passado. Eu desafio o governador Roberto Cidade a mostrar um comprovante de repasse do Passe Livre Estudantil de 2026. Ainda não passou nenhum centavo deste ano”, declarou.
O prefeito também afirmou que a Prefeitura continuará garantindo o benefício aos estudantes da rede municipal.
“Não vou permitir que o governador Roberto Cidade continue a não cumprir com os alunos da rede pública estadual. A rede pública municipal vai continuar com a meia-passagem. Eu não vou permitir que o governador Roberto Cidade retire o Passe Livre Estudantil. É a continuação do Wilson Lima, não pagar. Temos um governo que está acabando com Manaus”, disse.
Sinetram alertou para dívida de R$ 90 milhões
O embate ocorre em meio à crise no transporte coletivo da capital, agravada após a paralisação dos rodoviários iniciada na segunda-feira, 20. Na terça-feira, cerca de 80% da frota voltou a operar nos horários de pico após determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11).
Em coletiva, o presidente do Sinetram, César Tadeu Teixeira, informou que os débitos relacionados ao Passe Livre Estudantil somam R$ 90.184.740,19. Segundo a entidade, mais de R$ 44 milhões seriam de responsabilidade do Governo do Amazonas, enquanto o restante caberia à Prefeitura de Manaus.
De acordo com o dirigente, a dívida coloca em risco a continuidade do benefício e o equilíbrio financeiro do sistema de transporte coletivo.
“O sistema pode colapsar caso essa dívida, que hoje é de R$ 90 milhões, não seja paga”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que, além da quitação dos débitos, será necessário garantir os repasses futuros para evitar novos problemas no funcionamento do transporte.
Entenda o impasse
A disputa teve início em 2025, após o encerramento do convênio entre o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus que financiava o Passe Livre Estudantil. Desde então, o Estado passou a defender o pagamento direto ao Sinetram pelo valor da meia-passagem dos estudantes da rede estadual.
Em junho de 2025, a 2ª Vara da Fazenda Pública de Manaus autorizou o Governo do Amazonas a adquirir as meias-passagens pelo valor de R$ 2,50 e determinou que o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e o Sinetram não impedissem o acesso dos estudantes da rede estadual ao transporte gratuito.
Com o depósito dos R$ 18 milhões, o Governo do Amazonas afirma ter cumprido a decisão judicial referente aos repasses dos meses de fevereiro a julho deste ano. Entretanto, permanece a divergência entre Estado, Prefeitura e Sinetram sobre os valores totais em aberto e sobre a responsabilidade pelo custeio do Passe Livre Estudantil.






