Jéssica Lacerda – Rede Rios
PARINTINS (AM) – Em continuidade à série de entrevistas com os candidatos à presidência dos bois-bumbás de Parintins, a Rádio Rios Parintins 96,7 FM recebeu o empresário, ex-presidente do Boi Caprichoso e candidato à presidência da associação em 2026, Carmona Oliveira. Durante a conversa, conduzida pelo jornalista Keynes Breves, o candidato apresentou propostas para o futuro do boi, falou sobre sua trajetória na agremiação e destacou a importância da participação dos sócios nas decisões da entidade.
Carmona avaliou positivamente o desempenho do Caprichoso no último Festival de Parintins, ressaltando a conquista do título. O candidato relembrou sua longa história com o boi, afirmando que participa da agremiação desde a época das quadras da Juventude Alegre Católica (JAC), inicialmente como brincante. Segundo ele, a decisão de disputar novamente a presidência é motivada pelo desejo de voltar a contribuir com a história do boi azul e branco.
“Quando eu quis ser presidente do Caprichoso lá atrás, eu me preparei e agora não está sendo diferente. Estou com toda vontade, quero voltar a fazer história no Caprichoso“.
Questionado sobre a realização de eleições no Caprichoso após uma década sem disputa, Carmona afirmou que considera fundamental que os sócios voltem a ter o direito de escolher seus representantes. Para ele, o processo eleitoral fortalece a participação dos associados e garante que suas opiniões sejam consideradas nas decisões da instituição.
Ao falar sobre os desafios da associação, Carmona elogiou o trabalho desenvolvido pelo atual presidente, Rossy Amoedo, especialmente na área artística. No entanto, defendeu avanços na gestão administrativa. Segundo o candidato, o Caprichoso precisa se profissionalizar e funcionar como uma empresa, capaz de gerar receitas ao longo de todo o ano para manter sua estrutura, independentemente do período do Festival.
“Precisamos profissionalizar o boi. O boi não tem mais como funcionar somente no período do Festival, pois tem um custo o ano inteiro e não estamos fazendo algo para gerar essa receita”.

Sobre uma possível reestruturação organizacional, ao ter no organograma além do presidente da associação, um presidente do conselho de Artes, Carmona afirma que é uma questão de nomenclatura. Para ele, o mais importante é o desempenho das pessoas que ocupam os cargos. O candidato também assegurou que não terá receio de promover mudanças na estrutura administrativa, caso considere necessário, reforçando que a responsabilidade final pelas decisões cabe ao presidente da associação.
Carmona também comentou os apoios políticos e institucionais recebidos durante a campanha. Entre eles, citou o presidente do Movimento Marujada, Beto Vital; o coordenador da Marujada, Rogério de Jesus, conhecido como Roca; integrantes da União Azul; os ex-presidentes Márcia Baranda e Babá Tupinambá; além do atual presidente Rossy Amoedo. O candidato destacou ainda que prioriza uma campanha de proximidade, visitando sócios em Parintins, Manaus e municípios do Baixo Amazonas, como Barreirinha, Nhamundá e Boa Vista do Ramos.
“A gente está tendo um apoio muito grande. Eu vejo que o que está acontecendo hoje é esse sentimento de que precisa ter eleição. No primeiro momento, foi muito difícil colocar meu nome. Muitas pessoas perguntaram se eu ia colocar meu nome sozinho, porque visualizávamos que poderia haver uma nova aclamação. Mas acreditei que tinha história no boi e os sócios deveriam decidir se queriam o boi como está ou se queriam uma mudança”.
Em relação à composição da chapa, Carmona informou que as negociações para a escolha do candidato a vice-presidente seguem em andamento. Segundo ele, três ex-presidentes do Caprichoso estão sendo avaliados para ocupar a vaga. O candidato ressaltou, no entanto, que, independentemente da escolha, o grupo permanecerá unido.

Um dos principais temas da entrevista foi a valorização dos sócios. Carmona defendeu uma anistia para associados inadimplentes, argumentando que a falta de pagamento não deveria retirar o direito ao voto. O candidato lembrou que, quando presidiu a associação, promoveu o perdão das dívidas dos sócios e afirmou que pretende criar diferentes categorias de associação, permitindo formas variadas de contribuição, desde que o boi ofereça benefícios concretos aos associados.
Ao recordar a decisão de retirar Arlindo Júnior do item oficial durante sua gestão, em 2007, Carmona afirmou que a medida foi técnica e tomada de forma coletiva. Segundo ele, o desempenho nas notas do segmento musical vinha sendo motivo de preocupação e a decisão foi debatida internamente antes de ser comunicada ao levantador de toadas. O ex-presidente ressaltou que a escolha não teve caráter pessoal, mas buscava fortalecer o desempenho competitivo do Caprichoso.
“Quando você quer o melhor para o boi, tem que cortar na carne. Naquele momento, quando olhamos para trás, havíamos perdido dois ou três festivais por conta das notas do segmento musical. A cidade já estava com faixas escritas ‘Fora, Arlindo’. Depois foi feita uma reunião com quase 100 pessoas, e ficou decidido que precisávamos trocar. Coube a mim conversar com o Pop e dar a notícia”.
Encerrando a entrevista, Carmona Oliveira afirmou que, pela história construída na associação, considera legítima sua candidatura à presidência do Boi Caprichoso. O candidato disse estar motivado e reafirmou o compromisso de trabalhar para escrever mais um capítulo da história do boi-bumbá azul e branco.






