Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os trabalhos periciais para apurar as causas do vazamento de gás estireno em uma empresa do Distrito Industrial, em Manaus, começaram nesta segunda-feira, 20/7. A investigação é conduzida pelo Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), e busca esclarecer as circunstâncias do acidente.
Nesta primeira etapa, os peritos realizam uma avaliação preliminar da área, utilizando drones para o mapeamento e registro do local. O objetivo é reunir informações técnicas que irão subsidiar a investigação.
As análises continuarão nos próximos dias e não há prazo para a conclusão do laudo pericial. Segundo a SSP-AM, o tempo necessário dependerá da quantidade de informações que ainda serão coletadas e confrontadas com os vestígios encontrados no local. Todas as hipóteses relacionadas ao acidente serão avaliadas tecnicamente.
Investigações seguem em andamento
Paralelamente, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) instaurou um inquérito policial, conduzido pelo 2º Distrito Integrado de Polícia (DIP), para apurar as circunstâncias do caso. Até o momento, detalhes da investigação não foram divulgados para não comprometer o andamento dos trabalhos.
Enquanto isso, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mantém o resfriamento do tanque atingido até a completa desativação do reservatório. No domingo (19), a corporação conseguiu conter o vazamento após uma operação ininterrupta de resfriamento.
De acordo com os bombeiros, análises realizadas após a contenção não identificaram resíduos de gás estireno nem dentro da área isolada nem nas proximidades da empresa.
Ainda na noite de domingo, equipes do CBMAM, da Defesa Civil e técnicos da empresa realizaram novas medições da qualidade do ar em escolas e empresas vizinhas. Os testes também não detectaram a presença do gás. O monitoramento preventivo da região continuará nos próximos dias.
Fiscalização ambiental
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) segue acompanhando diariamente as medidas adotadas pela empresa desde o início do incidente.
Com apoio de uma empresa especializada em tecnologia territorial e sensoriamento remoto, o órgão realizou uma inspeção independente utilizando drone equipado com câmera termográfica para medir a temperatura do tanque. A avaliação apontou redução da temperatura na parte central do reservatório onde ocorreu o vazamento.
Além do monitoramento térmico, equipes de químicos e técnicos do Ipaam acompanham as ações de contenção, o destino dos efluentes gerados durante o resfriamento e as medidas adotadas para minimizar possíveis impactos ambientais.
Com o encerramento da fase emergencial e da reação química no tanque, o instituto fiscalizará a retirada do reservatório, a destinação ambientalmente adequada dos resíduos e do material remanescente, além do tratamento dos efluentes gerados durante a operação.
O órgão também realizará uma avaliação preliminar dos impactos ambientais provocados pelo acidente. Caso sejam identificados danos, poderão ser exigidas medidas de recuperação ambiental e outras providências previstas na legislação.
No sábado (18), uma equipe do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM) vistoriou o reservatório e informou que não encontrou indícios aparentes de fissuras, trincas ou rachaduras que representassem risco de rompimento do tanque.
Empresa foi multada em R$ 12,5 milhões
Em razão do vazamento de vapores de monômero de estireno, o Ipaam aplicou uma multa de R$ 12,5 milhões à unidade industrial por infração à legislação ambiental.
A penalidade tem como base a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), o Decreto Federal nº 6.514/2008 e o Decreto Estadual nº 51.355/2025. A empresa terá prazo de 20 dias para apresentar defesa administrativa.






