Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Pais de alunos de escolas cívico-militares da rede estadual denunciaram um novo afastamento de militares da reserva das Forças Armadas que atuam nas unidades de ensino devido ao atraso no pagamento pelos serviços prestados pelo Governo do Amazonas, sob gestão do governador Roberto Cidade (União).
Segundo os relatos, a interrupção das atividades compromete a disciplina, a organização e a rotina escolar, além de gerar preocupação entre as famílias.
De acordo com os denunciantes, esta é a segunda suspensão registrada somente em 2026, situação que reacende, segundo pais e responsáveis, o debate sobre a continuidade do Programa Estadual das Escolas Cívico-Militares (PECIM).
O programa funciona por meio de uma gestão compartilhada entre profissionais da educação e militares da reserva das Forças Armadas.
Enquanto professores e gestores respondem pelas atividades pedagógicas, os militares atuam no apoio disciplinar, organização da rotina escolar, controle de acesso às unidades e incentivo a valores como civismo e cidadania.
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Instituído pela Lei Estadual nº 7.724/2025, o modelo é aplicado em escolas que aderiram voluntariamente ao programa após consulta à comunidade escolar.
Pais relatam nova suspensão das atividades
A denúncia partiu de um pai de aluno da Escola Estadual Cívico-Militar Fueth Paulo Mourão, em Manaus. Segundo ele, os responsáveis foram informados de que os militares da reserva voltaram a suspender as atividades em razão do atraso nos pagamentos.
O pai afirma que a situação já havia ocorrido anteriormente e voltou a afetar o funcionamento da unidade. “É um projeto muito importante para essas escolas, mas os militares estão sendo afastados por falta de pagamento pelo governo”, disse.
Segundo o denunciante, na escola onde o filho estuda, os profissionais afastados são militares da reserva da Marinha, responsáveis por funções essenciais para a organização da rotina escolar.
“Lá na escola do meu filho são militares da reserva da Marinha, eles trabalham muito na questão de ordem e disciplina que são de suma importância dentro da escola”, afirmou.
Comunidade relata impactos na rotina escolar
Para o pai do estudante, a ausência dos militares é percebida imediatamente por alunos, professores e responsáveis.
Segundo ele, a atuação desses profissionais vai além do controle da entrada e saída dos estudantes, refletindo diretamente no comportamento dos alunos.
“Quando eles estão ausentes, a gente percebe que a escola fica muito bagunçada. Os alunos acabam não respeitando as orientações como antes e isso interfere na rotina da escola”, relatou.
O denunciante também criticou o que considera falta de prioridade do poder público para garantir a continuidade do programa.
“Esta já é a segunda vez que eles são afastados justamente por essa questão, o governo não dá a assistência necessária e não dá a importância devida para manter esses profissionais trabalhando”, declarou.
Comunicado informa motivo da ausência
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS teve acesso a um print de um grupo de WhatsApp de uma turma do 7º ano da Escola Estadual Cívico-Militar Fueth Paulo Mourão. Na mensagem, atribuída à gestão da unidade, os pais são informados de que os militares deixariam de atuar temporariamente por determinação da Associação Brasileira de Educação Cívico-Militar (Abemil).

O comunicado informa que a medida foi adotada em razão dos atrasos no pagamento do contrato de prestação de serviços.
“Senhores pais e responsáveis, venho por meio deste comunicar que, por determinação da ABEMIL Sede, em virtude dos atrasos no pagamento do contrato de prestação de serviço, o Corpo Educacional (militares) estará ausente da escola até que a situação se regularize. É o que me cumpre informar”, diz a mensagem.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Associação Brasileira de Educação Cívico-Militar (Abemil) e com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas (Seduc-AM) para esclarecimentos sobre a denúncia e sobre a regularização dos pagamentos aos militares.
Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações dos órgãos citados.






