Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) determinou a continuidade das investigações sobre a denúncia de agressão física, injúria racial e possíveis irregularidades na abordagem policial envolvendo o jornalista Marcelo Rocha, colaborador da Mídia Ninja, durante a cobertura do Festival Folclórico de Parintins.
A decisão estabelece novas diligências à Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) para esclarecer a dinâmica da ocorrência, identificar testemunhas e apurar a possível prática de outros crimes relacionados ao caso, registrado na madrugada de 29 de junho, no Bumbódromo.
A manifestação foi assinada pelo promotor de Justiça Ricardo Mitoso Nogueira Borges e integra os autos do processo nº 0005515-38.2026.8.04.6300. No despacho, o MP-AM devolve o procedimento à Delegacia Interativa de Polícia de Parintins por considerar que as investigações ainda são insuficientes para esclarecer todos os fatos.
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MP cobra novas diligências
Segundo o Ministério Público, a ocorrência foi inicialmente registrada como “vias de fato”, mas os elementos reunidos até o momento não permitem reconstruir, de forma precisa, a sequência dos acontecimentos.


O promotor determinou prazo de 30 dias para que a Polícia Civil realize novas diligências.
Entre as medidas solicitadas está o envio, pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e pela Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom), da relação dos profissionais de imprensa credenciados para atuar no Festival de Parintins.
Também foi requisitada à Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) a lista de pessoas autorizadas a utilizar o espaço reservado às Pessoas com Deficiência (PCDs) no dia da ocorrência.
Testemunhas e acesso ao espaço PCD
O MP-AM também determinou a identificação e o depoimento das pessoas que estavam na área entre o fosso da imprensa e o espaço destinado às PCDs, local onde ocorreu a confusão.
O objetivo é esclarecer a atuação de todos os envolvidos e verificar se houve excesso ou irregularidades durante o episódio.
Durante a investigação, Marcelo Rocha apresentou documentos que, segundo sua defesa, indicam que a mulher apontada como autora da agressão não possui cadastro oficial como Pessoa com Deficiência no Estado do Amazonas.
Ainda conforme a documentação apresentada, ela teria acessado o espaço reservado utilizando uma credencial vinculada ao nome do filho, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A informação será verificada pela Polícia Civil durante a continuidade da investigação.
Com as novas determinações, o Ministério Público busca esclarecer a dinâmica dos fatos, identificar testemunhas e apurar eventuais responsabilidades criminais, incluindo agressão física, injúria racial e possíveis irregularidades no acesso ao espaço reservado às pessoas com deficiência.
Relembre o caso
Marcelo Rocha denunciou ter sido agredido enquanto registrava imagens da apresentação do Boi Garantido durante o Festival de Parintins.
Segundo o jornalista, uma espectadora o atacou após afirmar que ele estaria obstruindo a visão do público. Marcelo relata que, ao tentar registrar a identidade da mulher com o celular, voltou a ser agredido e passou a ser alvo de ofensas racistas.
Ele afirma ainda que foi imobilizado por seguranças e conduzido à delegacia instalada no Bumbódromo.
A mulher também registrou ocorrência contra o jornalista. Ambos foram encaminhados ao Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
O caso será analisado pelo Juizado Especial Criminal de Parintins, responsável por ouvir testemunhas e avaliar as provas apresentadas pelas partes.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, na quarta-feira, 1º/7, Marcelo criticou a atuação da equipe de segurança e afirmou ter sido submetido a constrangimento durante o atendimento policial. Segundo ele, novas provas estão sendo reunidas para reforçar a denúncia.
“É importante que o festival cuide melhor das pessoas com deficiência. Dividir a área com os profissionais de imprensa, ainda mais com as novas regras, em que os jurados também ficam no espaço acima, prejudica a experiência de todos. Mas isso não pode servir de justificativa para violência física ou ofensas de cunho racial”, declarou.
Manifestações
Após a repercussão do caso, os bois Caprichoso e Garantido divulgaram notas de solidariedade ao jornalista e defenderam a apuração rigorosa dos fatos.
O Governo do Amazonas e a organização do Festival de Parintins informaram que acompanham a investigação, reafirmaram que não toleram qualquer forma de discriminação e disseram colaborar com a Polícia Civil e o Juizado Especial Criminal.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (Sinjor-AM) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também emitiram nota pública de repúdio à agressão e à denúncia de injúria racial. As entidades cobraram uma investigação célere, responsabilização dos envolvidos e garantias para o livre exercício da atividade jornalística.






