Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O lançamento do programa “Manaus que a Gente Cuida”, na última semana, trouxe novamente ao centro do debate o asfalto e a relação entre a Prefeitura de Manaus e a Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Durante o evento focado em recuperação viária e drenagem, o prefeito Renato Junior (Avante) afirmou que a escolha dos próximos bairros a receberem asfalto no verão amazônico contará com a participação direta dos vereadores.
“Com relação aos próximos bairros, a escolha é feita através dos vereadores que nos trazem oficialmente através de ofício. É claro, a gente olha todas as demandas e prioriza onde mais precisa naquele momento”, disse o prefeito.
Segundo o Executivo municipal, as demandas chegam formalmente por meio de ofícios e requerimentos. Embora a prefeitura afirme que avalia todas as solicitações e prioriza as áreas de maior necessidade, a declaração acende discussões nos bastidores da política local sobre o favorecimento a políticos aliados.
Como fica a oposição?
A atuação dos vereadores como ponte entre a comunidade e a prefeitura é uma prática legítima do processo legislativo. No entanto, o formato adota uma linha tênue entre a eficiência e a conveniência política.
Questiona-se, nos bastidores, como vai ficar o andamento dos requerimentos apresentados por parlamentares de oposição ou independentes, que mantêm uma postura de fiscalização mais rígida em relação à gestão municipal. Serão atendidos também? Receberão a mesma atenção?
A fala de Renato indica uma concentração das demandas nas mãos de aliados da base do prefeito, criando desigualdades no atendimento aos bairros e priorizando redutos eleitorais ao invés de locais que realmente mais precisam.
A lógica é simples: na periferia, o vereador que “manda asfaltar” ganha o carisma e o voto da população.
Mais asfalto e recursos para aliados
Vale lembrar que, no início de junho, foram contratados mais de R$ 80,5 milhões em pavimentação viária. Esta é uma das primeiras grandes movimentações no setor da gestão de Renato Junior, que assumiu o cargo há pouco mais de dois meses.
Os extratos publicados recentemente mantêm o padrão anterior: discriminam os valores e as empresas contratadas por lotes e regiões, mas não listam nominalmente as ruas que receberão o serviço, o que mantém acesas as cobranças por maior transparência por parte dos órgãos de controle e da sociedade civil. A verdade é que ninguém sabe para onde vai o asfalto; somente o prefeito e, agora, os vereadores mais próximos devem saber.
O cenário ganha novos contornos com a liberação, por parte da prefeitura, de um valor adicional de R$ 3,3 milhões para a CMM. O que é apontado como um movimento de colaboração para viabilizar as ações do Legislativo, mas que envolve mais cargos e contratações, só levanta ainda mais questionamentos sobre o risco de uma relação de clientelismo em ano político.






