Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Manaus aparece como a cidade brasileira mais vulnerável às ondas de calor e ocupa a 27ª posição no ranking global de cidades mais ameaçadas pelo calor extremo. O dado faz parte de um estudo realizado pela Universidade de Oxford e publicado na revista científica Sustainable Cities and Society.
Entre as 11 cidades brasileiras analisadas pela pesquisa, a capital amazonense apresentou o maior nível de vulnerabilidade ao calor extremo.

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O levantamento aponta que, mesmo localizada em meio à maior floresta tropical do planeta, Manaus enfrenta um processo de aquecimento urbano associado ao crescimento da cidade e à redução da cobertura vegetal.
Segundo o estudo, a capital registra temperaturas, em média, 1,74°C superiores às áreas de vegetação próximas. A diferença pode chegar a 3°C quando consideradas as temperaturas máximas anuais.

Entre 1970 e 2019, Manaus registrou 225 episódios de ondas de calor. Desse total, 88% ocorreram após os anos 2000, período marcado pelo aumento da frequência desses eventos.
Baixa arborização aumenta impacto do calor
A pesquisa aponta que a vulnerabilidade às ondas de calor não está relacionada apenas às temperaturas elevadas, mas também a fatores sociais, econômicos e ambientais que influenciam a capacidade de adaptação da população.
Cidades com maior renda, infraestrutura adequada, acesso facilitado à energia e maior presença de áreas verdes tendem a enfrentar menores impactos. Já regiões com baixa arborização, desigualdade social e menor acesso a sistemas de resfriamento apresentam maior exposição aos efeitos do calor extremo.
Em Manaus, a redução da cobertura vegetal e o crescimento urbano contribuem para o aumento das chamadas ilhas de calor, fenômeno em que áreas urbanizadas registram temperaturas mais altas do que regiões com maior presença de vegetação.
Vulnerabilidade urbana
Além de Manaus, outras cidades brasileiras também aparecem entre as avaliadas pelo estudo, como Goiânia (GO), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Recife (PE), Salvador (BA), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS).
O ranking, no entanto, não representa uma lista das cidades mais quentes do Brasil ou do mundo, mas mede o nível de vulnerabilidade da população diante do aumento das temperaturas e da ocorrência de ondas de calor.
A pesquisa analisou 205 cidades com mais de 1 milhão de habitantes em diferentes países, considerando fatores como aumento da temperatura média, intensidade e frequência das ondas de calor, variações na umidade do ar e impactos sobre a população urbana.

Impactos na saúde
Estudos realizados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) apontam que o calor extremo já provoca impactos na saúde da população brasileira.
Entre 2000 e 2019, eventos relacionados ao calor intenso estiveram associados a cerca de 120 mil mortes no país. Entre os grupos mais afetados estão idosos, pessoas com doenças cardiovasculares e moradores de áreas com pouca arborização e infraestrutura urbana adequada.






