Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O mercado de transporte aéreo entre Manaus e Parintins opera sob restrição de oferta e concentração de mercado desde 2022, quando a Azul assumiu a liderança do setor. Conforme consta em documento emitido pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a quantidade de assentos caiu quase pela metade, enquanto o preço das passagens dobrou no mesmo período.
Em pedido de acesso à informação feito pelo deputado Amom Mandel (Republicanos), a agência confirmou a crise: “Entre 2025 e 2022, houve redução de cerca de 42%” na oferta de assentos nessa rota.
Essa combinação de menor oferta e exclusividade gerou impacto direto nos bolsos dos passageiros. A tarifa real média apurada pela ANAC para o mês de junho saltou de R$ 663,35 em 2022 para R$ 1.352,19 em 2025, uma alta real de 104% por trecho.
A gravidade do cenário se confirma na prática: o portal Rios de Notícias encontrou passagens de ida e volta por quase R$ 5 mil na plataforma Google Flights para quem deseja viajar no dia 26 de junho (primeiro dia do evento) e retornar na segunda-feira, dia 29 de junho, em um voo de pouco mais de uma hora.

A retração da estrutura coincide com a consolidação de um monopólio na região. Segundo o relatório oficial da autarquia, “Verifica-se que a AZUL se tornou líder absoluta desta rota desde 2022 e desde 2025, a Azul (e sua subsidiária Azul Conecta) possuem a totalidade dos voos da rota”.
Custos altos desde a pandemia
Como justificativa, a ANAC alega que a mudança decorre de reflexos operacionais e financeiros da pandemia de Covid-19, período em que as maiores operadoras do país entraram em recuperação judicial.
Apesar da escalada dos preços, a agência justificou a falta de intervenções apontando a ausência de queixas formais. O órgão afirmou que, nos últimos cinco anos, apenas uma reclamação oficial foi registrada na plataforma Consumidor.gov.br sobre preços abusivos na rota Manaus-Parintins, enquanto os canais da Ouvidoria e do Fala.BR não computaram nenhum registro.


O deputado Amom Mandel contestou o argumento, apontando que a falta de formalização afasta a autarquia da realidade local e criticou duramente a postura do órgão regulador.
“O fato de a reclamação não virar protocolo oficial não significa que o problema não exista. Significa que o Estado ainda está distante da forma como o cidadão comum reclama, sofre e pede socorro”, disse o deputado
Mandel informou que continuará cobrando respostas da ANAC, do Ministério de Portos e Aeroportos e dos órgãos de defesa da concorrência para exigir medidas que ampliem a oferta e estimulem a entrada de novas empresas aéreas na região, buscando garantir passagens mais acessíveis.






