Redação Rios
MANAUS (AM) – Dormir mal se tornou parte da rotina de milhões de brasileiros. Segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), cerca de 73 milhões de pessoas no país sofrem com problemas relacionados ao descanso, enquanto a média nacional de sono é de apenas 6,4 horas por noite – abaixo das 7 a 9 horas recomendadas para adultos pela Fundação Nacional do Sono, dos Estados Unidos.
Em meio ao aumento das queixas de insônia, cansaço e dificuldade para manter uma rotina saudável, a melatonina ganhou popularidade como alternativa para auxiliar na regulação do sono.
Produzida naturalmente pela glândula pineal, a melatonina é o hormônio responsável por sinalizar ao organismo quando é hora de dormir. Ela atua diretamente no ritmo circadiano, conhecido como “relógio biológico”, que regula os ciclos de vigília e sono ao longo de 24 horas.
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A popularização do suplemento cresceu especialmente nas redes sociais, onde a melatonina passou a ser associada à melhora da qualidade do sono e da disposição diária. O interesse é maior entre pessoas expostas excessivamente às telas, trabalhadores em turnos alternados e quem enfrenta mudanças frequentes de rotina ou de fuso horário.
“O papel da melatonina é mais de organização do que de indução. Ela avisa ao corpo que é noite, facilitando o início do sono de forma mais fisiológica”, afirma o supervisor farmacêutico Jhonata Vasconcelos.
O profissional explica que a produção natural do hormônio está diretamente ligada à luminosidade. Durante a noite, os níveis de melatonina aumentam, enquanto a exposição à luz artificial – principalmente de celulares, computadores e televisores – pode inibir essa liberação e dificultar o descanso.
Ao contrário dos medicamentos sedativos, a melatonina não induz o sono diretamente. Sua principal função é preparar o organismo para dormir, ajudando na sincronização do relógio biológico. Por isso, especialistas ressaltam que o suplemento tende a apresentar melhores resultados quando associado a hábitos saudáveis.
No mercado brasileiro, a melatonina pode ser encontrada em diferentes apresentações, como comprimidos, cápsulas e soluções líquidas. Um exemplo é a linha Animativ Melatonina, disponível em gotas e cápsulas. “A versão líquida, com 30 ml, tem absorção mais rápida e permite ajuste mais preciso da dose, enquanto os comprimidos, com 120 unidades, são mais práticos para uso contínuo”, explica o farmacêutico.
Cuidados necessários
Apesar da popularização e da facilidade de acesso, o uso indiscriminado da melatonina pode trazer efeitos indesejados. Doses inadequadas, horários incorretos de ingestão e uso prolongado sem acompanhamento podem comprometer a eficácia do suplemento e até agravar distúrbios do sono.
Entre os possíveis efeitos adversos estão sonolência diurna, dores de cabeça, irritabilidade e alterações no ritmo biológico. Além disso, dificuldades frequentes para dormir podem estar relacionadas a problemas como ansiedade, estresse, depressão e outras condições de saúde que exigem avaliação médica.
“O suplemento pode ser um aliado importante, mas não resolve a causa do problema sozinho. A higiene do sono, a redução de estímulos noturnos e a regularidade de horários continuam sendo fundamentais”, diz Jhonata Vasconcelos.
Entre as recomendações mais indicadas por especialistas estão reduzir o uso de telas antes de dormir, manter o quarto escuro e silencioso, evitar cafeína no período noturno e estabelecer horários regulares para dormir e acordar. A prática de exercícios físicos e a exposição à luz natural ao longo do dia também ajudam a regular o relógio biológico.
Quando as dificuldades para dormir começam a afetar a produtividade, o humor e outras atividades do cotidiano, a orientação é buscar acompanhamento médico para investigar as causas e definir o tratamento mais adequado.






