MANAUS (AM) – Os moradores da rua Novo Ayrão, no bairro Praça 14 de Janeiro, zona Sul de Manaus, denunciam que convivem há dois anos com uma rotina marcada por alagamentos, lama, lixo acumulado e buracos. O problema afeta um trecho de grande circulação, que liga a Avenida Duque de Caxias à rua Belém, e tem causado prejuízos aos moradores.
Entre os moradores afetados está Teresinha Maciel, de 94 anos, que vive no local desde 1958. A aposentada conta que as fortes chuvas transformaram a rua em um cenário de preocupação constante e que já perdeu móveis por causa da entrada de água em casa.
“ A gente não dorme com medo das casas serem tomadas pelas águas. Meus móveis estragaram quando a chuva entrou às duas horas da manhã. Toda chuva é isso, e a gente já não tem mais para quem pedir ajuda”, relatou.
Teresinha Maciel – (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
O assistente administrativo Enos Guimarães, de 44 anos, que mora na região desde criança, explica que o problema estaria relacionado à falta de manutenção da drenagem e ao acúmulo de sedimentos no igarapé que corta a área.
“Existe uma parte mais alta pela Rua Paraíba. Tudo que é sedimentação desce e acumula aqui, como se fosse um vale, com o passar dos anos, nem a prefeitura, o Estado devido o Prosamin vieram fazer o desassoreamento do Igarapé, dos bueiros. Não limparam, não tem serviço de retirada dessa sedimentação ela vai acumulando e não tem para onde passar ”, explicou.
Lixeira sem recolhimento dos resíduos – (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Lixo agrava situação
Durante o período chuvoso, os moradores afirmam que a via se transforma em um verdadeiro rio, com resíduos boiando na água, aumentando o risco de problemas de saúde devido às péssimas condições de saneamento.
Segundo Enos, o problema vai além do lixo jogado nas ruas.
Enos Guimarães (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
“Se entra lixo, vai entupir, mas não é só isso. Existe também a questão do assoreamento. O serviço de dragagem não acontece e o igarapé, depois de tantos anos, praticamente voltou a subir. A gente precisa de uma solução”, afirmou.
Mesmo enfrentando problemas de saúde e a idade avançada, Teresinha conta que tenta ajudar a reduzir os impactos retirando parte do lixo acumulado na rua.
“Eu pego o aparador de lixo, pego o saco, vou juntando e depois passo a vassoura. Todo dia é isso que eu faço”, contou.
Lixeira viciada causa transtornos
Além dos alagamentos, os moradores reclamam de uma lixeira viciada instalada na área. Um abaixo-assinado chegou a ser feito para pedir a retirada do ponto de descarte, considerado inadequado pela comunidade.
A lixeira fica ao lado da casa de Guilhermina Nascimento – (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
A cozinheira Guilhermina Nascimento, de 38 anos, mora ao lado do local e afirma que precisou interromper o trabalho por causa do mau cheiro.
“Quem mais sofre somos nós. O fedor é muito forte. Eu fazia comida e parei com as entregas porque as pessoas reclamavam. Tem baratas, ratos e a rua está horrível. Todo dia a gente precisa pisar nessa lama fedorenta eu lavo meu pé com água sanitária quando entro em casa”, relatou.
Moradores da Rua Novo Ayrão pedem providências – (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Cobrança por providências
Com o período eleitoral se aproximando, os moradores cobram uma atenção maior do poder público e afirmam que o problema persiste há anos.
“Quando vêm pedir voto, a gente dá. Mas queremos pessoas que lutem por nós. Não é porque moramos em uma área assim que somos lixo. Somos trabalhadores e queremos apenas viver com dignidade”, declarou Guilhermina.
Teresinha também criticou a ausência de representantes no local.
Moradores da Praça 14 sofrem com falta de saneamento básico (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
“Eles nunca vêm aqui. Quem aparece são os cabos eleitorais, mas quem sofre somos nós, enfrentando esse problema todos os dias”, disse.
Enos Guimarães reforçou o pedido por ações emergenciais.
“Não existe drenagem adequada e estamos expostos a doenças. Pelo menos a limpeza dos bueiros precisa ser feita. A sedimentação continua descendo e acumulando aqui. Ninguém remove, ninguém retira”, afirmou.
Resposta
Procurada pela reportagem, a A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), informou, em nota, que “reestruturou completamente o talude abaixo do viaduto do Boulevard, construiu uma escada hidráulica na lateral para o escoamento adequado da água da chuva e realizou a readequação do sistema de águas pluviais no início do beco, além de executar periodicamente serviços de manutenção”, disse.
Para uma solução definitiva para a área, a Seminf afirmou que envolve intervenções que vão além da infraestrutura urbana, considerando a ocupação existente às margens e sobre o igarapé. Nesse contexto, parte das medidas necessárias está relacionada a ações de reassentamento habitacional e recuperação ambiental desenvolvidas no âmbito do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), do Governo do Estado.
Já a Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), esclareceu que, no âmbito do Prosamin+, foram realizadas intervenções no trecho compreendido entre a foz do Igarapé Mestre Chico e a região das avenidas Parintins e Tarumã, incluindo obras de macrodrenagem, habitação e urbanização, já concluídas. Entre os equipamentos entregues à população estão o Parque Urbano Largo Mestre Chico, os Parques Residenciais Mestre Chico 1 e 2, os Parques Urbanos Dois Amigos (Oscarino e Peteleco) e o Parque das Araras.