Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A crise financeira que atinge o Governo do Amazonas virou alvo de críticas na Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta segunda-feira, 15/6. Os vereadores Coronel Rosses (PL) e Zé Ricardo (PT) subiram à tribuna para acusar o ex-governador Wilson Lima (União Brasil) de ter deixado um “rombo bilionário” no caixa do Estado.
Segundo os parlamentares, essa “herança” explicaria o atual aperto financeiro enfrentado pela gestão estadual, que vem sendo pressionada por atrasos em pagamentos e benefícios nas áreas da saúde, educação e segurança pública.
O vereador Coronel Rosses também atribuiu a crise a uma suposta má gestão da administração anterior.
“O Wilson saiu e deixou um rombo milionário. Já foi falado aqui anteriormente. Estão tentando reinventar, tirando dinheiro de outro lugar para tapar esse rombo. Todo mundo sabe: quando ele saiu, ele e sua quadrilha rasparam o tacho”, afirmou.
Para conter o cenário de crise, a atual administração tem adotado medidas de contenção de gastos, o que motivou cobranças por fiscalização mais rigorosa dos órgãos de controle.
“O Tribunal de Contas precisa fazer um pente-fino nesse governo, porque tudo indica que o Wilson Lima deixou o Estado falido, e o governador atual, que é aliado dele, não sabe o que fazer, então fica tomando medidas atrapalhadas”, disse Zé Ricardo (PT).
Desequilíbrio mesmo com orçamento recorde
Durante o pronunciamento, Rosses acrescentou que as medidas adotadas pela atual gestão acabam afetando setores essenciais.
“Estão tentando tapar esse rombo. E onde tiver dinheiro, que eles acham que é deles, vão tirar. Educação, segurança pública”, disse.
O coronel ainda mencionou uma vitória em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) da época em que era policial militar. Na ocasião, ele criticou as ações da gestão estadual durante a pandemia, fazendo referência ao fatídico caso dos respiradores comprados em uma loja de vinhos. O processo, que ameaçava expulsar Rosses da corporação, teve desfecho há poucos dias, quando o vereador foi oficialmente inocentado.
Zé Ricardo questionou o destino das receitas estaduais dos últimos anos, apontando um descompasso entre a arrecadação recorde e a dificuldade de manter serviços essenciais.
“Como é possível um governo que arrecadou mais, que teve os maiores orçamentos da história, e ainda assim apresenta esse desequilíbrio, com falta de pagamentos e crise na saúde?”, questionou.
O orçamento do Governo do Amazonas para 2026 é estimado em R$ 38,05 bilhões, um aumento de cerca de 20% em relação ao ano anterior.
Recuo na UEA e avanço sobre fundo de microempresas
As medidas citadas pela oposição na CMM envolvem duas frentes adotadas pelo governo nas últimas semanas.
A primeira foi o Decreto nº 54.200, que tentou remanejar R$ 100 milhões do orçamento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para cobrir despesas da Amazonprev. Após repercussão política, o governo recuou e suspendeu o remanejamento, mantendo, no entanto, o contingenciamento dos recursos.
A segunda medida, criticada por Zé Ricardo, é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) enviada pelo Executivo à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). O texto autoriza o uso de recursos do Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (FMPES), estimado em R$ 215 milhões em 2026, para custear despesas da máquina pública.
A proposta já é alvo de representação no Ministério Público do Amazonas (MPAM), protocolada pela pré-candidata ao governo Professora Maria do Carmo (PL), que pede a suspensão da medida.
Congelamento de dívidas passadas
A crise fiscal também foi evidenciada no Decreto nº 54.220, assinado no fim de maio. O texto suspende o pagamento de dívidas de exercícios anteriores a 2026, impedindo repasses acumulados de gestões passadas, exceto em casos autorizados por um comitê interno do governo, sem auditoria externa.






