Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Entidades estudantis reagiram ao remanejamento de R$ 100 milhões do orçamento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para a Fundação AmazonPrev, oficializado pelo governador Roberto Cidade (União) por meio do Decreto nº 54.200.
A medida gerou preocupação entre organizações acadêmicas, que apontam possíveis impactos em áreas como assistência estudantil, interiorização do ensino, extensão universitária e manutenção das atividades da instituição.
Diretórios e centros acadêmicos, além da União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM), manifestaram preocupação com os efeitos do remanejamento sobre a permanência estudantil e o funcionamento da universidade.
Diretório de Saúde pede recomposição dos recursos
O Diretório Acadêmico de Saúde Dra. Joana D’arc (DAS) afirmou que a decisão preocupa toda a comunidade universitária e pode agravar dificuldades já enfrentadas pela instituição.
“Essa decisão gera grande preocupação para toda a comunidade universitária, pois impacta diretamente a instituição, que já convive com desafios relacionados à infraestrutura, à assistência estudantil, ao financiamento de bolsas e às condições de permanência dos estudantes”, afirmou o diretório.
A entidade alerta que qualquer redução significativa no orçamento compromete o funcionamento da universidade e o futuro de milhares de estudantes.
“Por isso, o Diretório Acadêmico defende a recomposição dos recursos destinados à universidade, bem como o fortalecimento das políticas de assistência estudantil, a ampliação de bolsas e auxílios e a realização de concursos públicos para suprir as demandas da instituição”, completou.
Centro Acadêmico de Teatro cobra esclarecimentos
O Centro Acadêmico de Teatro (CEAT) também se manifestou por meio de nota, demonstrando preocupação com a retirada de recursos de áreas consideradas essenciais para o ensino, a pesquisa e a extensão.
“Como representantes dos discentes, manifestamos nossa preocupação diante da retirada de recursos de áreas fundamentais para a permanência dos estudantes, para a produção acadêmica, para as atividades de extensão e para o fortalecimento do ensino público superior no Amazonas”, destacou a entidade.
O CEAT informou que vai solicitar esclarecimentos à administração da UEA sobre possíveis impactos do decreto, especialmente nas áreas de assistência estudantil, extensão universitária e interiorização do ensino.
“Seguiremos acompanhando os desdobramentos da medida e divulgaremos novas informações assim que houver posicionamentos oficiais”, afirmou.
UEE-AM publica nota de repúdio
A União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM) adotou um tom mais crítico e publicou nota de repúdio ao remanejamento. A entidade afirma que a medida ocorre em um momento de dificuldades enfrentadas por estudantes para permanecer na universidade.
“Enquanto estudantes enfrentam dificuldades para permanecer na universidade e a comunidade acadêmica cobra mais investimentos, o governo do Estado opta por retirar recursos da principal universidade pública estadual do Amazonas”, criticou.
A UEE-AM também cobrou transparência sobre os impactos do decreto e a recomposição do orçamento da UEA.
“A União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM) repudia veementemente a medida e exige transparência sobre seus impactos, além da recomposição dos recursos destinados à UEA”, afirmou.
Entenda o remanejamento
O decreto do Governo do Amazonas transfere R$ 100 milhões originalmente destinados à UEA para o Fundo Previdenciário do Estado. Para viabilizar a suplementação, foram anuladas dotações ligadas à administração da universidade, assistência estudantil, extensão universitária e interiorização do ensino superior.
O maior corte ocorreu na ação de Administração da Unidade, com redução de R$ 86,064 milhões. Também foram retirados R$ 6,4 milhões do programa de Interiorização do Ensino Superior, R$ 5,586 milhões do Apoio e Atendimento à Comunidade Universitária, R$ 1 milhão da Assistência Estudantil, R$ 850 mil da Extensão Universitária e R$ 100 mil do Fortalecimento do Ensino de Graduação.
O decreto não detalha quais programas serão afetados nem prevê eventual recomposição dos recursos.






