Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta terça-feira, 9/6, um homem apontado como piloto de fuga no roubo de uma carga de ouro extraída ilegalmente em Manaus. A prisão ocorreu em uma residência localizada na zona Centro-Sul da capital.
A ação faz parte da Operação Piloto de Fuga, desdobramento da Operação Auxílio Criminoso, que investiga a atuação de agentes públicos e terceiros em um esquema criminoso ocorrido em 2025.
A operação dá continuidade às diligências iniciadas na Operação Auxílio Criminoso, deflagrada em 29 de maio, que apura a atuação de agentes públicos e de terceiros em uma estrutura criminosa voltada ao roubo e à ocultação de ouro extraído ilegalmente.
Além da prisão preventiva, os agentes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão na capital amazonense. Segundo a PF, o objetivo é identificar todos os envolvidos no roubo e na ocultação do ouro, que já foi recuperado durante as investigações.
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Investigado seria responsável pela fuga do grupo
De acordo com a Polícia Federal, o homem preso nesta terça-feira seria o responsável por conduzir o veículo utilizado na fuga após o roubo da carga de pepitas de ouro proveniente de garimpo ilegal. A prisão ocorreu por volta das 6h, em uma residência no bairro Parque das Laranjeiras.
As investigações apontam que o imóvel já havia sido alvo de buscas anteriores, ocasião em que parte do material relacionado ao crime foi localizada. Também foram realizadas buscas em endereços vinculados ao investigado e em seu local de trabalho.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam para identificar possíveis colaboradores e verificar se outras pessoas participaram do planejamento, da execução ou do acobertamento do crime. Os investigados poderão responder pelos crimes de roubo, associação criminosa, usurpação de bens da União e fraude processual.
A operação representa a segunda fase da ofensiva policial contra o grupo suspeito de atuar no roubo e na ocultação de ouro extraído ilegalmente no Amazonas. Até o momento, quatro pessoas já foram presas no caso.
A ação é um desdobramento das investigações sobre o roubo de uma carga de ouro oriunda de garimpo ilegal ocorrido em 2025, em Manaus.
Apreensão histórica
De acordo com o delegado da Polícia Federal, Jonathans Simas, a investigação teve origem após a apreensão histórica do ouro e revelou a atuação de uma organização criminosa dividida em diferentes núcleos. Um deles seria formado por agentes de segurança pública que planejavam subtrair a carga, enquanto outro era composto por civis encarregados do transporte do minério entre estados.
Ao detalhar a operação, o delegado destacou que a ação é resultado dos desdobramentos das investigações iniciadas após a apreensão dos 77 quilos de ouro.
“A Polícia Federal deflagrou no dia de hoje uma operação conjunta com o Ministério Público do Estado, oriunda de uma apreensão que ocorreu em outubro de 2025. Foi uma apreensão de 77 quilos de ouro, a maior já registrada no estado do Amazonas, equivalente a quase R$ 50 milhões”, afirmou.
Simas também explicou que a investigação avançou para apurar possíveis tentativas de ocultação de provas relacionadas ao caso.
“Essa apreensão gerou um desdobramento em que buscamos, na casa de um dos advogados suspeitos de ocultar provas, elementos de interesse para a investigação”, destacou.
Envolvimento de agentes da segurança pública
O delegado afirmou ainda que os investigadores conseguiram identificar o piloto que teria participado da logística do crime, reforçando que a ação criminosa envolvia integrantes ligados à segurança pública estadual.
“Hoje conseguimos identificar o piloto da viatura que serviu de transporte no dia do roubo. É uma operação que envolve elementos da segurança pública estadual”, ressaltou.
De acordo com Simas, os materiais apreendidos durante a operação reforçam a suspeita de participação do investigado no esquema criminoso.
“Houve o cumprimento de um mandado de prisão e de quatro mandados de busca e apreensão, onde foram recolhidos elementos que comprovam a participação desse indivíduo, o quarto integrante do núcleo de roubo da organização criminosa”, apontou.
O delegado explicou que a organização criminosa atuava de forma estruturada, com um grupo responsável pelo transporte do ouro e outro interessado em se apropriar da carga durante o trajeto. O minério saiu do Pará, passou pelo Amazonas e teria como destino final o estado de Roraima, de onde poderia ser levado para fora do país.
“A organização criminosa é composta por alguns agentes de segurança pública que visavam roubar a carga de ouro e por outro núcleo criminoso, formado por civis, que faziam o transporte do ouro do Pará, com parada no Amazonas. O destino seria Roraima para uma possível internacionalização do ouro”, explicou.
Trabalho conjunto
De acordo com o promotor de Justiça Armando Gurgel, a Operação Piloto de Fuga é resultado do trabalho conjunto entre o Ministério Público do Amazonas (MPAM) e a Polícia Federal para aprofundar as investigações sobre o caso, que teve início após a maior apreensão de ouro da história do estado.
“O Ministério Público do Estado do Amazonas, juntamente com a Superintendência da Polícia Federal no Amazonas, deu início à deflagração da Operação Piloto de Fuga, na qual foi dado cumprimento a um mandado de prisão preventiva e a quatro mandados de busca e apreensão, um deles incluindo a Delegacia do 1º Distrito Integrado de Polícia”, afirmou.
Segundo o promotor, as diligências buscam esclarecer todos os detalhes relacionados ao episódio ocorrido em 30 de outubro de 2025, quando agentes de segurança pública estaduais foram presos em flagrante durante a investigação envolvendo a carga de ouro.
“Estamos aprofundando as investigações decorrentes do fato ocorrido no dia 30 de outubro de 2025, oportunidade em que houve a prisão em flagrante de alguns agentes de segurança pública estadual envolvidos na maior apreensão de ouro da história do Estado do Amazonas”, ressaltou.
Armando Gurgel afirmou que a nova fase da operação tem como objetivo reunir provas que permitam compreender completamente a dinâmica do crime e identificar outros possíveis envolvidos.
“Estamos justamente procurando colher elementos de interesse para a apuração completa dos fatos, para não apenas eventualmente alcançar outros participantes da ocorrência, mas também reunir mais elementos de materialidade acerca da dinâmica do crime”, concluiu.






