Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um vídeo que repercutiu nas redes sociais, neste fim de semana, por mostrar, supostamente, uma mãe boto-rosa acompanhada do filhote ganhou uma nova interpretação após análise da bióloga marinha Dani Abras, especialista em cetáceos.
Segundo ela, os animais registrados pertencem a espécies diferentes. O maior é um boto-rosa e o menor é um tucuxi, dois mamíferos aquáticos que habitam os rios amazônicos, mas possuem características físicas e comportamentais diferentes.
A especialista explicou que a principal diferença observada no vídeo está no tamanho dos animais. O boto-rosa pode alcançar até 2,5 metros de comprimento e pesar cerca de 180 quilos, enquanto o tucuxi mede, em média, 1,5 metro e pesa entre 35 e 55 quilos.
Veja vídeo:
Outro detalhe que ajuda na identificação é a nadadeira dorsal. “No boto-rosa, ela é baixa e alongada, parecendo uma pequena corcova. Já no tucuxi, a nadadeira é mais alta e triangular, semelhante à de um golfinho marinho”, explica ela.
Dani também destacou diferenças no formato do corpo. “O boto-rosa possui nadadeiras peitorais maiores e mais largas, adaptadas para a movimentação em áreas de floresta alagada durante a cheia dos rios. O tucuxi tem corpo mais hidrodinâmico e nadadeiras menores, características que favorecem a natação em águas abertas”, explicou.
O focinho é outro elemento que diferencia as espécies. “Enquanto o boto-rosa apresenta um bico longo e bem evidente, o tucuxi possui um focinho mais curto e delicado.”
A coloração também varia. O boto pode apresentar tons que vão do cinza ao rosa intenso, enquanto o tucuxi tem o dorso cinza-escuro e a região inferior mais clara, explica Dani.
Além das diferenças físicas, os comportamentos são distintos. O boto-rosa costuma ser mais solitário e explorar áreas inundadas em busca de alimento. Já o tucuxi é considerado mais sociável, vivendo em grupos e caçando pequenos peixes em rios mais abertos.
Para a especialista, o registro é ainda mais interessante e inédito, justamente por mostrar a interação entre duas espécies diferentes convivendo nas águas da Amazônia, e não uma relação entre mãe e filhote, como muitos internautas imaginaram inicialmente.






