Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os moradores da rua São Diniz (antiga rua 2), na comunidade Alfredo Nascimento, no bairro Cidade de Deus, na zona Norte de Manaus, vivem dias de medo e insegurança. Várias crateras estão se formando ao longo da via e já ameaçam engolir casas da região. Parte de uma residência chegou a ceder, obrigando moradores a deixarem o imóvel.
A dona de casa Natalina Rocha, de 35 anos, grávida do sexto filho, relata que o problema tem causado prejuízos e colocado a vida da família em risco. Segundo ela, a força da água que transborda de um bueiro localizado na esquina da residência provocou o desmoronamento de um dos cômodos da casa do irmão dela.

“Já faz tempo que a gente está passando por essa situação, falam que vão vir e nunca vêm. A gente continua passando por isso, por situações de prejuízo, até por medo, porque a nossa casa está rachando. Meu irmão se mudou da casa dele, porque não tem mais como ficar. Daqui a pouco, o pessoal vai ter que construir uma ponte para entrar para dentro da sua casa, porque não tem mais como ter acesso”, explicou a moradora, que vive há 21 anos no local.
Durante os temporais, a água invade as casas e chega a atingir cerca de um metro e meio de altura. De acordo com Natalina, o problema persiste há pelo menos nove meses.

“A minha casa está toda rachada. Daqui mais um tempo, eu vou ter que sair da minha casa, porque eu não vou ter como ficar por causa disso. Então a gente tá pedindo socorro e que venham ajudar a gente aqui. A rua está toda desabada, porque o bueiro desabou tudo, não tem mais o que fazer”, disse.
O avanço da cratera já compromete outras residências e até estabelecimentos comerciais da área. A comerciante Sandra Gomes da Silva, de 62 anos, mora há 27 anos na rua São Diniz e teme que a situação termine em tragédia.

“Meu maior medo é de arrear esse poste e a minha casa arrear também, porque já tá arreado, e rachando. O buraco está imenso aí embaixo, então eu queria que o prefeito, pelo menos, olhe pelo povo que está aqui. Há oito anos que a gente pede socorro. Vêm aqui, dá uma olhada, vai embora e a gente fica no prejuízo”, destacou.
Diabética e hipertensa, Sandra afirma que passa mal sempre que chove forte na região.
“O poste está rachado. Meu muro está rachando e se esse poste cair vai causar prejuízo tanto para os vizinhos quanto pra mim. A gente está pedindo socorro”, declarou.

Os moradores afirmam que já procuraram o distrito de obras em busca de ajuda, mas até agora nenhuma providência efetiva foi tomada.
“Já pedimos ajuda. Disseram que estão terminando uma obra, eu não sei aonde, para poder vir pra cá, mas a gente não pode esperar. O tempo não pode esperar”, relatou Sandra.
Moradora há 18 anos da comunidade, Rocicléia Nogueira, de 55 anos, conta que paga o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em dia, mas teme perder a casa, localizada ao lado do igarapé e ameaçada pela erosão.
“O meu IPTU eu estou pagando as parcelas de R$ 90 reais, mas a cota única veio R$ 450. Pago o meu IPTU tudo em dia, não tem nada atrasado, mas nós estamos nessa situação”, explicou.


Rocicléia relata que vive há seis meses enfrentando o problema em frente à residência.
“Eu já fui em vários órgãos, mas ninguém vem nos ajudar. Então eu estou pedindo socorro, porque eu tenho medo. Quando chove fica uma coisa horrível. A gente já não dorme, a gente não tem paz e está caindo, cada vez mais está caindo”, desabafou.
O problema também ameaça a casa de Jackeline Pereira, de 29 anos, mãe de um bebê de oito meses e responsável pelos cuidados do irmão deficiente.
“Está chegando aqui no portão de casa e a gente tem medo desse muro cair e aí não tem para onde a gente escapar. Eu tenho um bebê de oito meses e o meu irmão tem Síndrome de Down. Aí eu tenho muito medo, né? É só nós três aqui, porque a minha mãe trabalha”, relatou a dona de casa.

Sentindo-se abandonados pelo poder público, os moradores cobram providências urgentes para evitar uma tragédia.
“A gente está pedindo socorro, porque esse problema não é de hoje. Está desabando tudo, quando chove alaga. A gente está tendo prejuízo com móveis, a gente está tirando do nosso bolso para fazer uma calçada com concreto, mas não tem como, a chuva tira, leva, e a gente está nessa situação”, apelou Natalina.
O Portal Rios de Notícias entrou em contato com a prefeitura de Manaus para saber quais providências vão ser tomadas diante das denuncias dos moradores e, de acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), equipes do Distrito de Obras realizaram vistoria técnica na rua São Diniz e identificaram que uma construção irregular sobre a área da rede de drenagem comprometeu o escoamento das águas pluviais, ocasionando transtornos no local.
“A Seminf esclarece que irá acionar o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) para as providências cabíveis e posteriormente, dará continuidade aos serviços de infraestrutura necessários para a recuperação da área“, disse por meio de nota.






