Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A precariedade enfrentada há anos pelos estudantes do CETI Deputado Gláucio Gonçalves voltou a ser denunciada na última sexta-feira, 22/5, durante uma reunião com representantes do Ministério da Educação (MEC), em Parintins, no interior do Amazonas.
O encontro ocorreu durante a inauguração do espaço físico do Centro de Formação de Juventudes Amazônicas (Cefojam) e reuniu integrantes do grêmio estudantil, representantes do MEC e lideranças ligadas à educação.
Os estudantes entregaram um documento detalhando problemas estruturais e pedagógicos enfrentados diariamente na instituição. A articulação da reunião foi realizada por uma professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), campus Parintins.
Segundo os estudantes, o encontro permitiu apresentar denúncias que, de acordo com eles, vêm sendo ignoradas há anos pelo poder público.
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Estrutura deteriorada e espaços inutilizados
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, um dos denunciantes afirmou que a escola enfrenta uma série de problemas estruturais, entre eles piscina inutilizada há mais de cinco anos, laboratórios sucateados, paredes rachadas, camarins deteriorados, vestiários danificados e salas em situação precária.



De acordo com os relatos, a sala de música está deteriorada e sem instrumentos suficientes para o desenvolvimento das atividades estudantis. A sala de dança também foi apontada como um dos espaços mais afetados pela falta de manutenção.
Os estudantes afirmam ainda que o palco da escola possui camarins em estado avançado de deterioração e que diversos ambientes apresentam infiltrações e desgaste estrutural, além da ausência de manutenção adequada. Outro ponto denunciado foi a falta de um sistema de monitoramento por câmeras de segurança.
“Os problemas estruturais envolvem toda a precarização da escola, como sala de música deteriorada, falta de instrumentos musicais, sala de dança em condições precárias, camarins destruídos, piscina inutilizada, rachaduras nas paredes, falta de sistema de câmeras e laboratórios sucateados”, relataram.
Falta de materiais pedagógicos e esportivos
Segundo os estudantes, o documento entregue aos representantes do MEC também aponta dificuldades relacionadas ao funcionamento pedagógico da escola, além da falta de materiais básicos para atividades esportivas e educacionais.
Entre os itens citados estão bolas, redes, cones, materiais de papelaria, itens decorativos e recursos utilizados em apresentações, oficinas e atividades escolares.
“Há escassez de papel, materiais decorativos e recursos básicos utilizados diariamente nas atividades da escola”, afirmaram.
Os alunos também criticam a alimentação escolar oferecida atualmente na instituição e alegam insatisfação com os alimentos disponibilizados.
Escola deixou de funcionar no modelo CETI
Outro ponto levado ao MEC foi a retirada da unidade do modelo CETI (Centro Educacional de Tempo Integral).



Segundo os estudantes, toda a estrutura da instituição foi construída para atender o formato de ensino integral, com aulas pela manhã e oficinas pedagógicas e culturais no turno da tarde.
“Questionamos o motivo de a nossa escola ter sido retirada do modelo CETI, já que toda a sua estrutura foi planejada para esse formato”, destacaram.
Reformas apenas em períodos específicos
Durante a reunião, os estudantes também denunciaram que melhorias estruturais acontecem apenas em momentos específicos, principalmente durante o Festival de Parintins ou em visitas políticas.
Segundo os relatos, parte da estrutura escolar recebe manutenção quando policiais utilizam a instituição como alojamento durante o mês de junho ou quando autoridades públicas visitam o local.
“A escola só recebe reformas quando policiais chegam para utilizar o espaço como alojamento ou quando alguma figura política visita a instituição”, ressaltaram.
Déficit de servidores
Outro problema apontado envolve a insuficiência de profissionais para atender a demanda da escola. Conforme o documento apresentado ao MEC, a unidade possui cerca de 10 mil metros quadrados, mas conta com apenas sete ou oito trabalhadores responsáveis pela limpeza.
Na área da segurança, os estudantes afirmam que apenas dois profissionais atuam no controle patrimonial da escola.
“Existe insuficiência tanto na limpeza quanto na segurança, o que afeta diretamente o funcionamento adequado da instituição”, disseram.
Fanfarra Águias do Norte corre risco de não desfilar
Um dos pontos que mais preocupam os estudantes é a situação da fanfarra Águias do Norte, considerada uma das mais tradicionais do desfile cívico de Parintins.
Segundo os alunos, os instrumentos utilizados pela banda estão deteriorados e não há materiais de reposição suficientes para manter ensaios e apresentações.
“Não temos materiais de reposição, não contamos com instrutor e também não possuímos recursos financeiros para contratar um profissional”, relataram.
Os estudantes também demonstraram preocupação com a possibilidade de a fanfarra não desfilar em 2026. “Seria uma enorme perda cultural, estudantil e simbólica para a escola e para o desfile cívico de Parintins”, afirmaram.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com o Governo do Amazonas para solicitar posicionamento sobre a situação da unidade escolar, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.






