Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Amazonas registrou redução de 30,1% no desmatamento durante o primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Entre janeiro e março deste ano, foram desmatados 3.190 hectares, contra 4.567 hectares no mesmo período de 2025. No acumulado entre agosto de 2025 e março de 2026, a queda chegou a 35,5%.
Em entrevista ao Portal Rios de Notícias nesta quinta-feira, 14/5, o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas, Joel Araújo, atribuiu o resultado ao fortalecimento da fiscalização integrada e às políticas ambientais voltadas à meta de desmatamento zero até 2030.
“Entre janeiro e março, o Amazonas registrou uma queda de 30% no desmatamento em comparação com o mesmo período do ano anterior. No acumulado entre agosto de 2025 e março de 2026, a redução chega a 35,5%, o que reforça a tendência de queda para o fechamento do ciclo, que vai até junho”, afirmou.
Segundo Joel Araújo, a tendência também se repete em toda a Amazônia Legal, que apresentou redução de 17% no trimestre e de 36% no acumulado de oito meses. Para ele, os números representam o menor índice registrado desde 2017.
A retomada do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), principal programa federal de combate ao desmatamento, também é apontada como decisiva para os resultados. O plano reúne ações de monitoramento, regularização fundiária, recuperação florestal e incentivo à bioeconomia, com meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030.
Apesar da redução nos índices gerais, municípios do Sul do Amazonas seguem entre os mais pressionados pelo avanço da grilagem, garimpo ilegal e exploração madeireira.
“Municípios como Novo Aripuanã, Lábrea e Humaitá lideraram esse ranking de áreas mais desmatadas no período. Também aparecem Manicoré, Tapauá, Boca do Acre e Canutama, cidades que historicamente apresentam altos índices de desmatamento. Os três primeiros costumam figurar entre os dez maiores desmatadores do Brasil”, explicou o superintendente.

PrevFogo
Outra estratégia destacada pelo Ibama é o fortalecimento do PrevFogo. O Amazonas ampliou de três para oito brigadas federais de combate a incêndios florestais, passando a contar com 198 agentes atuando na prevenção e no enfrentamento das queimadas.
O avanço das ações inclui ainda investimentos em fiscalização ambiental e tecnologia. Segundo Joel Araújo, o Fundo Amazônia vai destinar R$ 825,7 milhões ao programa FortFisc, voltado à modernização das operações do Ibama.
“O investimento prevê aquisição de helicópteros, drones de alta tecnologia, bases móveis, sistemas de inteligência artificial e uma nova estrutura operacional para fortalecer a fiscalização ambiental”, destacou.
Os resultados refletem o aumento das operações integradas entre órgãos federais e estaduais, com uso de monitoramento por satélite, inteligência ambiental e ações coordenadas envolvendo Ibama, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Funai, Ipaam e Sema-AM, principalmente na região Sul do estado.






