Redação Rios
BRASIL – O ritmo foi de samba, havia uísque, mas nem todos os que pagaram R$ 800 para entrar na festa em homenagem ao novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) conseguiram cumprimentar o ministro Kassio Nunes Marques. A comemoração da posse, realizada em uma casa de eventos após a cerimônia oficial no TSE, foi marcada pela divisão entre áreas vip e pista.
Nos espaços reservados circulavam ministros, celebridades e políticos. A pista, por sua vez, foi destinada principalmente a advogados. Enquanto na área vip era servido uísque Macallan 18 anos, os convidados da pista consumiam Johnnie Walker Black Label. O primeiro pode custar cerca de R$ 3 mil; o segundo, em torno de R$ 100.
Nunes Marques passou a maior parte da festa no espaço reservado, embora tenha circulado pelo evento e tirado fotos com advogados e outros convidados. Ao longo da noite, alguns advogados permaneceram próximos à área vip à espera da saída do homenageado para tentar cumprimentá-lo.
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Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE não precisaram pagar para entrar na festa. Já integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tiveram de adquirir ingressos, o que provocou irritação entre alguns magistrados. Ainda assim, membros do STJ compareceram em peso ao evento.
Mesmo com convite garantido, apenas Gilmar Mendes e André Mendonça – que assumiu a vice-presidência do TSE – representaram o STF na festa.
O evento reuniu políticos de diferentes espectros ideológicos. O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) circulava pela pista, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) permaneceu na área vip. Flávio foi um dos responsáveis por aproximar Nunes Marques do ex-presidente Jair Bolsonaro, que acabou indicando o então desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para uma vaga no STF.
A poucos metros de Flávio Bolsonaro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fumava um charuto. Gonet é autor da denúncia que levou à condenação de Jair Bolsonaro e outros réus por tentativa de golpe de Estado.
As cenas se desenrolaram ao som de samba. No palco, Jorge Aragão, Ivo Meireles, Dudu Nobre e Sombrinha cantaram o verso “Vou festejar o seu sofrer, o seu penar”. Em seguida, o próprio Nunes Marques subiu ao palco e entoou o refrão “É hoje o dia da alegria, e a tristeza nem pode pensar em chegar”.
O cardápio da festa incluiu peixe, filé mignon ao molho madeira, risoto de queijo grana padano, massa, saladas e legumes cozidos, além de um coquetel volante. De sobremesa, foram servidos tortas, mousse de chocolate e churros de banana. Os convidados – tanto da área vip quanto da pista – beberam vinho Angélica Zapata.
Entre os políticos presentes estavam o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e Antonio Rueda. No grupo das celebridades, compareceram o treinador Wanderley Luxemburgo, o cantor Raimundo Fagner, o sertanejo Gusttavo Lima e a dupla Henrique & Juliano.
Cerimônia de posse
Antes da festa, o samba já havia aparecido no discurso de posse no TSE. Ao encerrar a fala na cerimônia oficial, Nunes Marques citou Jorge Aragão para destacar a importância do voto e da vontade popular expressa nas eleições: “É o povo quem produz o show e assina a direção”.
No discurso, o ministro também defendeu que o tribunal atue com moderação, “sem incorrer em omissões ou excessos incompatíveis com o Estado de Direito”. Ele ressaltou ainda a importância da liberdade de expressão e apontou preocupações da Corte com o uso da inteligência artificial durante as campanhas eleitorais.
“Cada voto deve ser computado como expressão da soberania popular. Haja respeito à liberdade de expressão e pensamento. Em qualquer democracia consolidada, é fundamental que se observem essas liberdades, permitindo a troca de ideias e o efetivo debate das questões relevantes. Nesse particular, teremos desafios, como o uso excepcional da inteligência artificial, que, apesar do potencial benéfico, pode trazer problemas”, afirmou.
Entre as autoridades presentes à cerimônia oficial estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros do STF, integrantes do governo federal, parlamentares da base aliada e da oposição, além do senador Flávio Bolsonaro.
Na plateia, sentaram-se próximas a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Entre elas estava Yara Lewandowski, mulher do ex-ministro do STF e da Justiça Ricardo Lewandowski.
Ao final da cerimônia, Alexandre de Moraes cumprimentou Michelle Bolsonaro. O ministro foi relator da ação que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão.
*Com informações da Agência Estado






