Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Familiares e amigos de Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, realizaram uma manifestação na manhã desta quarta-feira, 22/4, em frente ao Fórum Ministro Henoch da Silva Reis, em Manaus.
Com cartazes e pedidos de justiça, a família cobra respostas pela morte do jovem durante uma abordagem de policiais militares no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste da capital.
A mãe Elaine Almeida, muito abalada, afirmou que teve a vida destruída após a morte do filho. “Me mataram junto com o meu filho. A minha vida não faz mais sentido. Eu quero justiça. Eu quero que eles paguem pelo que fizeram”, disse.

Carlos André deixou um filho, um bebê de apenas um ano, que estava nos braços da avó durante o protesto. A criança chegou a segurar um cartaz com a foto do pai, cena que chamou a atenção de quem acompanhava a manifestação.
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A mãe também denunciou tentativas de intimidação após o crime. De acordo com ela, viaturas da Polícia Militar estariam circulando com frequência nas proximidades de sua residência. “Eu não tenho medo. Eles tiraram a vida do meu filho, não tem por que eu me calar”, afirmou.

O advogado da família, Alexandre Torres Jr, reforçou as denúncias e afirmou que há registros em vídeo das intimidações, já encaminhados às autoridades. “Há relatos documentados de ameaças e até agressões contra testemunhas. Isso é gravíssimo e já foi levado ao Ministério Público”, declarou.

Relembre o caso
Carlos André foi morto na madrugada do último domingo, 19, durante uma abordagem policial. Inicialmente, os policiais afirmaram que o jovem havia fugido de motocicleta e que os disparos realizados seriam de advertência. Eles também alegaram que a vítima teria sofrido um acidente ao cair da moto.

A versão, no entanto, foi contestada pela perícia, que identificou um disparo de arma de fogo como causa da morte. Imagens de câmeras de vigilância anexadas ao processo também indicam contradições nos depoimentos dos policiais e apontam que o jovem já apresentava sinais de rendição quando foi atingido, além de possíveis agressões após estar no chão.
Audiência de custódia
A Justiça do Amazonas decretou a prisão preventiva de dois policiais militares investigados pela morte do jovem Carlos André. A decisão, que também determina a expedição imediata dos mandados de prisão, foi tomada após a análise de novas provas no caso.
Os policiais Belmiro Wellington Costa Xavier e Hudson Marcelo Vilela de Campos são investigados por homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e possível fraude processual. A medida foi assinada pelo juiz plantonista Alcides Carvalho Vieira Filho.

A prisão foi solicitada pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que apresentou novos elementos considerados decisivos para o avanço das investigações.
A reportagem solicitou novo posicionamento da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) após os desdobramentos do caso e aguarda retorno.






