Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A passagem subterrânea do complexo viário Rei Pelé, que liga as zonas Norte e Leste de Manaus, foi parcialmente interditada na segunda-feira, 20/4, para obras de drenagem realizadas pela Prefeitura. A interdição no “Viaduto do Saci” expõe falhas, transtornos e revolta de moradores na capital.
A intervenção tem como objetivo melhorar o sistema de drenagem da trincheira, localizada no bairro Jorge Teixeira, e reduzir os frequentes alagamentos registrados na região, especialmente durante o período chuvoso. Moradores, no entanto, relatam transtornos recorrentes. A autônoma Michelly Santos destaca que os alagamentos são rotineiros e causam prejuízos.

“No período chuvoso, alaga bastante. A gente abre as redes sociais e vê as ruas e as casas, principalmente os igarapés alagados, e tem muitos aqui perto. Acaba alagando bastante, as pessoas perdem suas coisas, é bem complicado”, disse Michelly Santos.
O complexo viário Rei Pelé, também conhecido como “Viaduto do Saci”, custou mais de R$ 80 milhões, mas, segundo usuários, não trouxe os resultados esperados. O que deveria reduzir congestionamentos acabou se tornando motivo de queixas e até cenário de acidentes.
“Sempre alaga lá embaixo. Eles fizeram um buraco e tem uma chapa de ferro lá. Inclusive, estão fazendo uma obra de drenagem, e é até perigoso. A chapa, quando o ônibus passa, está se afastando. A Cidade Nova não melhorou em nada. É drenagem mal feita, eu acho”, destacou o autônomo Fabrício Costa.

O chef Vítor Moura, de 29 anos, que passa diariamente pelo local, relata prejuízos e dificuldades. “Atrapalha muito, principalmente para motociclistas. A gente passa por baixo e se suja todo. Já teve gente que caiu ali. Eu mesmo tive um prejuízo de R$ 200 depois que o pneu estourou ao passar por uma chapa de ferro”, contou.
Trânsito congestionado
De acordo com Moura, o trânsito continua intenso mesmo após a construção do viaduto.
“Aqui, sabemos como é: não há respeito ao trânsito, ao motorista, muito menos ao motociclista. Às vezes, a gente está fazendo o retorno no viaduto e os carros nos fecham, porque, querendo ou não, a capacidade desse viaduto não atende à zona Leste. Já ocorreram acidentes com mortes. Inclusive, a dificuldade para passar nesse viaduto é grande, porque, mesmo com pouco tempo de inauguração, já há diversos relatos de acidentes”, explicou Vítor Moura.

As obras começaram pela manhã e devem ser concluídas nesta terça-feira, 21. Durante o período de interdição, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) orienta os motoristas a redobrarem a atenção à sinalização e buscarem rotas alternativas.
Em comunicado, a Prefeitura de Manaus informou que a ação foi acompanhada pelo secretário municipal de Infraestrutura e visa melhorar o escoamento da água, preservar a estrutura e garantir mais segurança e fluidez no trânsito. Os serviços incluem a aplicação de polímero de vedação e reparos no concreto para aumentar a durabilidade da trincheira.






