Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O delegado Fabiano Rosas e dois investigadores da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) foram presos em flagrante por equipes da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), suspeitos de extorquir R$ 30 mil de um empresário. As prisões ocorreram nesta quinta-feira, 16/4, em Manaus.
O caso veio à tona após vítimas denunciarem que foram abordadas por homens armados que se apresentaram como policiais civis, vinculados ao 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na zona Leste da capital. O grupo havia acabado de desembarcar de uma lancha transportando cerca de R$ 30 mil em espécie.
Segundo testemunhas, o delegado e um dos investigadores foram até a embarcação, atracada na Balsa Amarela, no Porto de Manaus, onde estava o dinheiro. No local, também estavam um empresário e um policial militar que atuava como segurança.
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Apreensão sob suspeita
Em entrevista à imprensa, o delegado do 24º DIP, Marcelo Martins, afirmou que os empresários relataram ter sido vítimas da abordagem e que o dinheiro foi recolhido sem a devida formalização da ocorrência.
“As vítimas que estavam nesses veículos alegaram que foram levados uns 30 mil reais e uma arma de fogo estava em posse deles, e eles não foram encaminhados à delegacia respectiva para o procedimento. Depois foram liberados em vias públicas. O fato é esse”, disse.
De acordo com Martins, a abordagem ocorreu na região da Manaus Moderna e foi considerada criminosa. “A polícia, sob a minha coordenação, passou a empreender uma série de diligências para coletar provas e fazer a captura desses policiais”, destacou.
Testemunhas afirmam que os suspeitos agiram de forma coordenada, rendendo as vítimas sob grave ameaça e exigindo a entrega imediata do dinheiro. Em seguida, elas teriam sido colocadas à força em um veículo e levadas para uma área afastada, nas proximidades do Olímpico Club, onde foram abandonadas.
Prisão em flagrante
Na tentativa de impedir uma denúncia imediata, os suspeitos teriam jogado os celulares das vítimas na rua. Ainda assim, os aparelhos foram recuperados, permitindo o acionamento da polícia.
Com base nas informações, equipes da Rocam iniciaram diligências e localizaram os suspeitos na região central de Manaus. A abordagem, registrada em vídeo, mostra o delegado sendo rendido, desarmado e colocado no chão, enquanto os demais envolvidos também foram detidos.
Dinâmica da ação
Segundo as investigações, a ocorrência teve início quando um policial militar, que fazia a segurança de um empresário, foi interceptado. O empresário transportava cerca de R$ 30 mil em espécie no momento da abordagem.
Durante a ação, os suspeitos teriam intimidado o policial, tomado sua arma de fogo – que estaria em situação irregular – e subtraído o dinheiro.
Após o ocorrido, o policial militar acionou apoio e repassou as informações às equipes, que iniciaram buscas pelo veículo utilizado. Um dos suspeitos foi localizado e, inicialmente, não foi identificado como integrante da Polícia Civil.
De acordo com relatos, ele resistiu à abordagem e se recusou a obedecer às ordens policiais.
Investigação em andamento
As investigações iniciais apontam que o caso pode ter ligação com um esquema maior envolvendo roubo de cargas em embarcações. Há suspeitas de que o material transportado poderia incluir ouro ou até entorpecentes.
Além disso, o uso de identificação funcional e possível estrutura da polícia levanta indícios de abuso de autoridade e uso indevido da função pública.
A Polícia Civil do Amazonas ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. A investigação será conduzida pela Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública, que irá apurar a conduta dos envolvidos.
Os suspeitos devem passar por audiência de custódia e permanecer à disposição da Justiça. Durante o interrogatório, optaram por não se pronunciar.
Posicionamento
Em nota à reportagem, a Polícia Civil do Amazonas informou o caso é acompanhado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), por meio da Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial.
“Os envolvidos tiveram o auto de prisão em flagrante lavrado e permanecem à disposição da Justiça, devendo passar por audiência de custódia. A PC-AM comunicou a Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública e informou que adotou as medidas administrativas cabíveis. A instituição afirmou ainda que não compactua com desvios de conduta e que eventuais irregularidades serão apuradas”, explicou por meio da nota.
A reportagem solicitou posicionamento da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas sobre o caso, mas, até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.






