Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Entre os dias 22 e 28 de abril, Manaus se torna palco de uma das maiores mobilizações mundiais pela ética na indústria têxtil: a Semana Fashion Revolution 2026.
As atividades iniciam no dia 24 de abril, às 14h, com a exibição de um documentário na Faculdade de Artes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Já no dia 25, a programação conta com três ações: das 8h às 10h; às 16h30, com um bazar de trocas no Cine Carmen Miranda; e às 19h15, no mesmo local, com a exibição do documentário Sulanca, seguida de roda de conversa.
O destaque da programação ocorre na manhã do dia 26 de abril, com o Desfile Manifesto Amazonense, na avenida Getúlio Vargas.
Neste ano, o evento vai além da teoria e ocupa ruas e universidades para mostrar que a moda amazônica é também uma rede de resistência e criatividade.
Em entrevista ao Portal Rios de Notícias, a representante do evento em Manaus, Glícia Cauper, afirma que o trabalho voluntário é movido pela esperança de transformação social.
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Criatividade e impacto coletivo
Representante do movimento desde 2022, Glícia destaca que iniciativas como essa geram impactos a longo prazo e fortalecem uma rede de voluntários engajados desde o início.
“Existem pequenas marcas autorais que produzem em escala reduzida, muito diferente das grandes varejistas, que são as principais poluidoras do meio ambiente. Nossa programação é pensada para compartilhar conhecimentos de forma horizontal”, afirma.

Segundo ela, o objetivo é gerar impacto direto em Manaus e fortalecer o ecossistema da moda local, incluindo comunidades do interior. Como exemplo, cita Novo Airão, que abriga a marca Inaruwa Yama, voltada para mulheres indígenas.
“Um dos principais impactos que buscamos é fazer com que as pessoas se reconheçam como criadoras de moda. Além disso, queremos que o público valorize esse trabalho. Todo mundo veste roupa todos os dias, mas nem sempre percebe a importância disso”, destaca.
Rede de fortalecimento
A proposta do evento também é conectar criadores e iniciativas locais, promovendo troca de experiências entre diferentes territórios.
“O grande sonho é que esses criativos se encontrem e formem uma rede. Uma solução que funciona em Novo Airão pode ser aplicada em Manaus e vice-versa. A ideia é trocar conhecimentos e se fortalecer coletivamente”, explica.



Glícia reforça que a principal mensagem do evento é o poder da ação coletiva, sem responsabilizar individualmente o consumidor.
“A ideia não é gerar culpa individual, mas conscientizar sobre quem são os grandes poluidores e como a indústria da moda impacta o meio ambiente. Precisamos nos unir para cobrar mudanças de quem realmente tem responsabilidade”, afirma.
“Falar sobre união é essencial. Quando estamos juntos, conseguimos identificar soluções e aplicá-las em diferentes contextos, seja em Manaus, Parintins ou outras regiões do Amazonas”, conclui.
Do interior à capital
Um dos destaques desta edição é a valorização das comunidades produtoras do interior do estado. Glícia cita iniciativas como a marca Inaruwa Yama, de Novo Airão, além do trabalho de Carina e dona Hercília Dersa, ligadas ao Festival do Peixe-Boi.
A programação foi pensada de forma horizontal, unindo conhecimento acadêmico e saberes populares, com o objetivo de fortalecer redes locais e dar visibilidade a soluções já existentes. O evento também incentiva a colaboração entre comunidades, coletivos, instituições de ensino e empreendedores da moda.
Com o tema “Fortalecer ecossistemas de moda”, a agenda reúne produtores, ativistas, artistas, estudantes, estilistas e voluntários em ações que destacam práticas éticas, sustentáveis e colaborativas.
Entre as marcas confirmadas para o desfile estão Ateliê 1970, Sapopema Biojóias, Praia de Rio, Estúdio Presepada, Brechó 3:30, Studio 92, Melanina AM, Piink Cokie Store, Act Brechó e Pacovã, entre outras.
O evento também contará com nomes da cena local como modelos, entre eles Dacota MC e Menor MC.






