Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O aumento de 55% no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado pela Petrobras nesta quarta-feira, 1º/4, representa um choque no mercado aéreo, e que pode afetar diretamente no bolso do consumidor e nas operações das companhias aéreas.
O reajuste, que varia entre 53% e 56%, incide sobre um dos principais custos das empresas aéreas. No Brasil, o querosene já representava mais de 30% das despesas e, com a alta recente, esse peso pode chegar a 45%, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abea).
“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços”, afirma a Abear. Para a entidade que representa as companhias aéreas no país, “isso pode reduzir a conectividade no país e comprometer a democratização do transporte aéreo”.

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Para suavizar o impacto imediato, a Petrobras criou um mecanismo de parcelamento: distribuidoras podem absorver apenas 18% do aumento em abril e pagar o restante em seis parcelas a partir de julho. A estatal sinalizou que a medida pode se estender aos próximos meses.
Por que o preço subiu tanto?
Consultado pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o economista Bruno René da Silva Barroso, explica que a alta do querosene não é um fenômeno local, bem como todo o aumento dos combustíveis registrados no país.
Tensões geopolíticas no Oriente Médio, envolvendo Irã e Estados Unidos, elevam a incerteza do mercado internacional de petróleo. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global, é um ponto crítico: qualquer interrupção no fluxo reduz a oferta e pressiona os preços.

“O barril subiu de 60–70 dólares para mais de 100 dólares. No Brasil, o QAV segue de perto o preço internacional, então o aumento se reflete quase integralmente no combustível”, explica Barroso.
Efeito direto no bolso e na logística
Mesmo com mais de 80% do QAV produzido internamente, o preço acompanha a paridade internacional. Isso significa que qualquer turbulência no mercado global de petróleo é sentida imediatamente pelo consumidor brasileiro, seja em passagens ou no transporte de cargas.
“O combustível é um dos principais custos das companhias aéreas, esse encarecimento afeta toda a cadeia: aumenta o custo das operações e, muitas vezes, acaba sendo refletido no preço das passagens”
Bruno René, economista
A alta de combustível pressiona companhias a focarem em rotas mais lucrativas, deixando cidades menores com menos voos. Além disso, o encarecimento impacta toda a cadeia logística.
Alívio temporário
O parcelamento anunciado pela Petrobras pode evitar um choque imediato nos preços das passagens, mas não neutraliza a pressão estrutural de custos no setor aéreo.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou a Associação Brasileira das Empresas Aéreas para comentar se a medida de parcelamento pode, de fato, frear o aumento das passagens ou não. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.






