Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Em Manaus, apenas 6,4% dos estudantes estão no 3º ano do Ensino Médio, sendo registrado o menor percentual entre as capitais da Região Norte, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2024, divulgada nesta quarta-feira, 25/3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa aponta que, no Amazonas, existem 271,3 mil estudantes de 13 a 17 anos, com equilíbrio entre ambos os sexos e forte predominância da rede pública, que concentra cerca de 93% das matrículas.
Já em Manaus, há a concentração de 136,8 mil estudantes na mesma faixa etária, de 13 a 17 anos, também com leve predominância masculina e maioria matriculada na rede pública, com 87,6%.

Na capital, nos anos iniciais há um número maior de estudantes matriculados, como no 7º ano do Ensino Fundamental, com 8,2%, no 8º ano, com 21,9%, e no 9º ano, com 23,1%.
Queda no Ensino Médio
Já no Ensino Médio, observa-se que 25,0% dos escolares estão no 1º ano, representando o maior percentual entre todas as séries analisadas, seguido por 15,4% no 2º ano e apenas 6,4% no 3º ano, indicando uma redução significativa na proporção de estudantes à medida que avançam para a conclusão do Ensino Médio, sendo o menor percentual entre as capitais do Norte.

Os dados mostram ainda desigualdades no acesso a bens entre estudantes de escolas públicas e privadas, dentre eles a menor proporção de jovens vivendo com ambos os pais, além de indicadores de comportamento, como 45,6% com acompanhamento dos deveres de casa, 61,5% com hábito de tomar café da manhã e 8,2% que já experimentaram drogas ilícitas.
Consumo da merenda escolar
Esses dados apontam uma expressiva desigualdade, pois, em Manaus, 42% dos estudantes de 13 a 17 anos consomem refeições oferecidas pela escola três dias ou mais por semana, sendo este o grupo mais expressivo.
Outros 29,6% têm consumo raro, enquanto18% não consomem a merenda escolar e apenas 10,4% consomem em um ou dois dias semanais.
Uso de drogas ilícitas
No estado, também há um percentual de 8,8% de escolares que já experimentaram drogas ilícitas alguma vez na vida, índice superior à média nacional de 8,3% e à média da Região Norte, de 7,0%.
O levantamento revela uma disparidade significativa entre os sexos: enquanto 10,5% dos estudantes do sexo masculino relataram ter experimentado drogas ilícitas, entre as estudantes do sexo feminino esse percentual cai para 7,1%.
Outro contraste marcante aparece na comparação entre redes de ensino: nas escolas públicas, o índice alcança 9,2% dos alunos, enquanto, nas instituições privadas, esse número é drasticamente menor, ficando em apenas 3,1%, a menor taxa entre as escolas privadas de toda a Região Norte.

A PeNSE é realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação. Esta é a quinta edição do levantamento, feito em 2024, e abrange mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas de todo o país. O questionário foi aplicado com alunos, que responderam sobre sua percepção, e com diretores das escolas, que abordaram a instituição e seu entorno.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) e a Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed) para um posicionamento sobre os dados da pesquisa. No entanto, não recebeu retorno. O espaço permanece aberto.






