Redação Rios
MANAUS (AM) – A retirada dos flutuantes do Tarumã-Açu, na zona Oeste de Manaus, foi suspensa pela Justiça. A medida impede, por enquanto, que famílias e trabalhadores sejam obrigados a deixar o local a partir do dia 1º de maio, como estava previsto.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira, 20/3, pelo presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), desembargador Airton Gentil, e vale até que o caso seja julgado definitivamente ou que haja uma nova decisão.
Na prática, isso significa que centenas de pessoas que vivem ou trabalham nos flutuantes podem continuar no local temporariamente, sem risco imediato de remoção.
A suspensão aconteceu após um pedido da Defensoria Pública do Amazonas, que apontou problemas no processo. Um dos principais pontos é que muitas pessoas afetadas não foram ouvidas pela Justiça antes da decisão de retirada.
Além disso, a Defensoria argumentou que a ordem acabou sendo ampliada. O processo original tratava de cerca de 74 flutuantes em áreas como Manaus Moderna e Educandos, mas passou a atingir também estruturas no Tarumã-Açu.
Outro ponto levantado é que a retirada foi determinada sem acordo com os órgãos envolvidos. Segundo a Defensoria e o Ministério Público, já existiam propostas para organizar a área de forma gradual, sem necessidade de remoção imediata.
Também há questionamentos sobre o impacto ambiental. De acordo com estudos técnicos, a principal fonte de poluição da região não seriam apenas os flutuantes, mas principalmente o esgoto e o lixo que chegam pelos igarapés urbanos.
A Defensoria alertou ainda que a retirada poderia causar prejuízos sociais e econômicos, afetando diretamente famílias e pequenos empreendedores que dependem da atividade no local.
O caso é antigo e começou ainda em 2001, quando o Ministério Público entrou com uma ação por conta de problemas ambientais relacionados aos flutuantes na cidade.
Desde então, o processo passou por várias decisões. Em 2024, a Justiça chegou a determinar a retirada de todos os flutuantes do Tarumã-Açu, mas a medida foi suspensa, retomada e agora novamente interrompida.
Enquanto isso, órgãos públicos discutem alternativas para organizar o uso da área, tentando conciliar a preservação ambiental com a permanência das pessoas que vivem e trabalham na região.
*Com informações da Assessoria






