Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) –A ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Manaus, Anabela Cardoso Freitas, vai continuar presa por decisão do ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça. Ela é investigada por suposta ligação com uma organização criminosa no Amazonas.
Anabela foi presa no dia 20 de fevereiro durante a Operação Erga Omnes, que apura a atuação de um grupo ligado à facção Comando Vermelho. Segundo a Polícia Civil do Amazonas, ela faria parte do chamado “núcleo político” da organização.
De acordo com as investigações, a ex-servidora teria usado cargos públicos para acessar informações sigilosas de processos e repassá-las ao grupo criminoso, ajudando a proteger integrantes e facilitar ações ilegais.
A defesa pediu a revogação da prisão, alegando que não há provas concretas e que a decisão foi baseada em argumentos genéricos. O ministro, no entanto, entendeu que existem indícios suficientes e que a prisão é necessária para o andamento das investigações.
A decisão também aponta que o grupo investigado teria uma estrutura organizada, com participação de outros servidores públicos, além de movimentações financeiras suspeitas que ultrapassam R$ 70 milhões, por meio de empresas de fachada.
A defesa também reclamou da demora na análise de um pedido de liberdade no Tribunal de Justiça do Amazonas, mas o ministro afirmou que o processo segue dentro do prazo normal.
Histórico na gestão municipal
Antes da prisão, Anabela ocupou cargos estratégicos na Prefeitura de Manaus. Entre 2021 e 2025, ela recebeu mais de R$ 586 mil em salários líquidos, segundo dados do Portal da Transparência.
Ela é policial civil e advogada, com atuação em áreas como o gabinete do prefeito e a Comissão de Licitação.
Posicionamentos
À época, a Prefeitura de Manaus informou que a investigação não tem como alvo a gestão municipal e que servidores citados devem responder individualmente por seus atos.
Já a defesa de Anabela negou qualquer envolvimento com organizações criminosas e afirmou que ela nunca foi investigada ou processada anteriormente.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para solicitar um novo posicionamento sobre o caso, especialmente sobre a atuação da ex-servidora na gestão municipal e eventuais medidas adotadas após a investigação. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.






