Redação Rios
MANAUS (AM) – Após anunciar apoio ao prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), como pré-candidato ao Governo do Amazonas, o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, foi citado na delação premiada dos ex-dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) André Fidelis e Virgílio de Oliveira Filho.
Lupi, presidente nacional do PDT, esteve em Manaus no dia 6 de fevereiro para participar da posse do secretário de Limpeza Urbana da capital, Sabá Reis, como líder da sigla no Amazonas.
“O David será o próximo governador do Amazonas. Sabe por quê? Porque ele é obstinado. E eu digo aqui: ousa quem quiser, reclame quem quiser, David será candidato a governador com o apoio do PDT”, declarou Carlos Lupi.
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Lupi na delação
De acordo com o portal Metrópoles, a delação descreve a atuação de Lupi no governo Luiz Inácio Lula da Silva em um esquema de descontos ilegais nos benefícios de aposentados e pensionistas.
Lupi assumiu o Ministério da Previdência em janeiro de 2023 e foi demitido em maio de 2025, nove dias após a Polícia Federal deflagrar a primeira fase da Operação Sem Desconto, que resultou na prisão de integrantes da cúpula do INSS. Segundo relatos, o ex-ministro teria atuado para proteger investigados, prejudicando a imagem do governo.
Durante sua gestão, Lupi chegou a defender publicamente o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que, segundo investigações, recebia R$ 250 mil por mês do esquema entre junho de 2023 e setembro de 2024.
“A indicação do Stefanutto é de minha inteira responsabilidade. Doutor Stefanutto é um servidor que – até o presente momento – tem me dado todas as demonstrações de ser exemplar”, declarou Lupi na época.
Diante da resistência, o próprio presidente Lula precisou exonerar Stefanutto.
O ex-ministro também apadrinhou a indicação de Adroaldo Portal, ex-assessor da bancada do PDT na Câmara dos Deputados, que se tornou número 2 do ministério e permaneceu no cargo até dezembro, quando foi alvo da PF na Operação Sem Desconto, tendo sua prisão domiciliar decretada.
Lupi mantinha relação próxima com a advogada Tônia Galleti, ex-coordenadora jurídica do Sindnapi, sindicato de aposentados e pensionistas. Familiares de dirigentes da entidade, incluindo Galleti, teriam recebido ao menos R$ 8,2 milhões.
O ex-ministro foi alertado diversas vezes sobre o crescimento dos descontos aplicados aos benefícios de aposentados e pensionistas, mas só adotou providências cerca de um ano depois. Nesse período, os valores descontados ilegalmente saltaram de R$ 80,6 milhões para R$ 248,1 milhões.






