Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Na balsa amarela, na região central de Manaus, o movimento intenso de passageiros vindos de diversos municípios do Amazonas e de outros estados da Região Norte foi marcado por um sentimento incomum: medo e insegurança. O clima de apreensão tomou conta do local após o naufrágio ocorrido na última sexta-feira, 13/2, no Encontro das Águas, onde duas pessoas morreram, 71 sobreviveram e outras ainda seguem desaparecidas.
A lancha Lima de Abreu XV afundou após enfrentar fortes ondas (os chamados banzeiros, como são conhecidos pelos amazonenses) durante um racha com outra embarcação. No Porto de Manaus, Josias Almeida Bastos procurava informações sobre o irmão, Renato Alan Melo Bastos, um dos tripulantes desaparecidos.

“Meu irmão trabalhava na embarcação há muito tempo. Ele é de Tefé e, no dia do acidente, estava na lancha, mesmo estando de folga. Minha mãe e todos os familiares, em Tefé, estão apreensivos. O Corpo de Bombeiros informou que as famílias devem procurar o IML caso algum corpo seja encontrado”, relatou o carpinteiro, visivelmente abalado.
Passageiros relatam insegurança constante
A operadora de produção Luciana Menezes, de 30 anos, costuma viajar de barco para visitar familiares em Terra Santa, no Pará. Para ela, o acidente poderia ter sido evitado.

“É muito assustador porque foi irresponsabilidade e tinha como ser prevenido. Com as experiências que eu tenho viajando para muitos lugares é essa insegurança total quando a gente vai fazer viagem, porque não tem instruções e não tem uma rotina de fiscalização direta ou seja a segurança necessária para as pessoas. E infelizmente aconteceu isso, é muito triste a gente ver as perdas, é algo que chocou muito todos nós””, afirmou.
O influencer Kennedy Costa, de 24 anos, que trabalha em embarcações, também demonstrou temor após ver as imagens dos sobreviventes à deriva.

“Falta mais fiscalização nos barcos porque já peguei muito temporal em barco por aí, quando eu viajo vejo que não tem coletes, eles estavam velhos, eu fiquei um pouco com medo de ver idosos gritando lá dentro do barco e eu fiquei com muito medo mesmo e vendo essa cena do naufrágio”, desabafou.
O autônomo Nedilson da Silva, de 58 anos, acredita que o episódio deve servir de alerta para os comandantes das embarcações.

“Os nossos rios são muito acidentados, então, as pessoas têm que ter mais cuidado, mais atenção. Dizem que iam pegando aquele negócio de guerregar um com o outro. Então, eu acho que nossos comandantes de modo geral, têm que ter mais responsabilidade com os demais, com os passageiros, com as crianças que vão no barco. Ocorreu o acidente, não foi com a gente, mas a gente sente na pele a visão das pessoas, o pânico”, destacou.
Apelo por mais fiscalização e capacitação
As imagens compartilhadas nas redes sociais ampliaram a comoção e reforçaram o apelo por mudanças.
“Foi muito chocante ver mães segurando filhos no colo em meio ao desespero. Minha família também trabalha em barcos, então senti medo. Espero que haja mais fiscalização em todos os tipos de transporte fluvial”, acrescentou Kennedy.

Luciana reforça a necessidade de ações preventivas: “É preciso ter mais fiscalizações e procurarem, assim, não esperar o acidente acontecer para poder fazer algo”
Para Nedilson, a responsabilidade é coletiva, mas começa na capacitação: “Quem fez curso precisa agir com responsabilidade. E quem contrata deve garantir que os profissionais estejam preparados. A responsabilidade também é do patrão, para que isso não volte a acontecer.”

Entre tantos relatos, para os passageiros essa tragédia reacende o debate sobre segurança na navegação nos rios do Amazonas, vias essenciais para milhares de pessoas que dependem do transporte fluvial diariamente.
O Portal Rios de Notícias solicitou nota da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, vinculada à Marinha que apura as circunstâncias do acidente, e da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (Arsepam), a fim de saber sobre as fiscalizações, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.






