Redação Rios
MANAUS (AM) – Com a intensificação do período chuvoso na região Norte cresce o alerta para o avanço de doenças infecciosas relacionadas ao contato com água contaminada. O risco é maior em áreas afetadas por alagações e com saneamento básico insuficiente, onde a proliferação de microrganismos favorece infecções gastrointestinais e outras enfermidades de veiculação hídrica.
No Amazonas, foram registrados 301.621 casos de Doenças Diarreicas Agudas (DDA) em 2025, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP).
Embora nem todos os registros estejam diretamente ligados à água contaminada, especialistas alertam que o período chuvoso amplia a circulação de agentes infecciosos em ambientes insalubres. O número, inclusive, pode ser maior, já que o monitoramento ocorre apenas em unidades de saúde sentinelas.
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“A maior parte dos casos envolve gastroenterites agudas causadas por vírus, bactérias ou parasitas, com sintomas como diarreia, vômitos e dor abdominal”, explica o infectologista e consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde, Marcelo Cordeiro. Segundo ele, os quadros não devem ser subestimados, especialmente entre crianças e idosos, grupos mais vulneráveis a complicações.
Doenças além da diarreia
Além das DDAs, outras doenças associadas ao contato com água contaminada exigem atenção redobrada durante o período chuvoso. A leptospirose, por exemplo, teve aumento de casos no estado: foram 70 registros em 2025, contra 48 no ano anterior. A infecção ocorre principalmente pela exposição à urina de roedores em áreas alagadas e pode evoluir de forma grave se não for diagnosticada precocemente.
“O início costuma ser semelhante ao de uma gripe forte, mas a doença pode evoluir para falência renal, hemorragia pulmonar e até levar ao óbito”, alerta Cordeiro. Ele acrescenta que a leptospirose frequentemente é confundida com hepatite, já que, nos casos mais graves, o paciente pode apresentar icterícia – coloração amarelada da pele e dos olhos.
A hepatite A também representa risco, sobretudo entre adultos, nos quais pode causar inflamação intensa do fígado e, em situações raras, insuficiência hepática. Já a febre tifoide, infecção bacteriana ainda presente em áreas com saneamento precário, provoca febre alta persistente e mal-estar intenso. Em todos os casos, a demora na busca por atendimento médico aumenta o risco de agravamento do quadro.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico das doenças de transmissão hídrica considera a duração e a gravidade dos sintomas. Em quadros leves e autolimitados, a avaliação pode ser clínica. Já nos casos persistentes ou com sinais de maior gravidade – como febre alta e sintomas sistêmicos -, exames laboratoriais são essenciais para identificar o agente causador e orientar o tratamento adequado.
“Exames de fezes ajudam a identificar parasitas e bactérias, enquanto as sorologias no sangue são fundamentais para confirmar doenças como leptospirose e hepatite A”, explica o infectologista. Testes complementares, como hemograma e avaliação da função renal, também auxiliam na análise da gravidade do caso.

Segundo Cordeiro, identificar corretamente o agente infeccioso evita tratamentos inadequados. “Se for viral, antibiótico não resolve. Se for uma bactéria agressiva, o antibiótico correto, iniciado no momento certo, pode salvar vidas”, ressalta.
O tratamento varia conforme a intensidade da doença, mas tem um princípio básico: hidratação adequada. Em casos leves, a reposição oral de líquidos com soro de reidratação e dieta leve costuma ser suficiente. Já nos quadros graves – com vômitos persistentes, sonolência ou redução da urina -, a internação hospitalar e a hidratação venosa tornam-se indispensáveis.
*Com informações da assessoria






