Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A família do feirante Reginaldo de Sá Lima, de 45 anos, pede justiça após a morte do trabalhador, atropelado por uma viatura da Força Tática da Polícia Militar do Amazonas, na noite do dia 6 de dezembro, por volta das 21h40, na avenida Lourenço Braga, no Centro de Manaus.
O atropelamento foi registrado por câmeras de segurança instaladas na via. As imagens mostram Reginaldo atravessando a rua em um trecho com pouca iluminação quando é atingido pela viatura policial. Após o impacto, o veículo parou, mas, segundo testemunhas, nenhum socorro imediato foi prestado pelos agentes.
Reginaldo morreu ainda no local. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da perícia criminal e do Instituto Médico Legal (IML) foram acionadas para atender a ocorrência.
A vítima era permissionário da Feira Manaus Moderna, trabalhava na mesma área há mais de 28 anos, sendo bastante conhecido entre comerciantes e frequentadores da região central da capital.
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Versão apresentada pelos agentes
Documentos oficiais da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) apontam que a viatura envolvida – identificada como VTR 1227, da Força Tática – realizava patrulhamento na área no momento do acidente.
Segundo relatório administrativo ao qual a reportagem teve acesso, os policiais afirmam que a via estava com a iluminação comprometida e que o homem teria atravessado correndo à frente da viatura.
Ainda conforme o documento, o motorista afirma que tentou desviar, mas não conseguiu evitar o atropelamento. A ocorrência foi apresentada no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

O que diz a família
A esposa de Reginaldo, Lissandra Raimara de Oliveira Rodrigues, contesta a versão dos policiais. Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, ela afirma que as imagens obtidas pela família mostram que a viatura não estava em perseguição no momento do atropelamento.
“Eles dizem que estavam perseguindo bandidos, mas não estavam com giroflex nem sirene ligados. A rua estava vazia”, afirma. De acordo com Lissandra, o veículo seguia em baixa velocidade e teria acelerado no momento em que Reginaldo atravessava a via. “No vídeo dá pra ver que eles aceleram no final da ação”, afirma.
Ela também relatou que os policiais não prestaram assistência imediata ao marido e que testemunhas teriam sido coagidas.“O meu marido morreu na hora de traumatismo crâniano, hemorragia e os policiais não deram assistência para ele, coagiram as testemunhas que estavam tentando gravar, estavam bastante agressivos”.

Quem era Reginaldo
Reginaldo trabalhava na Feira Manaus Moderna desde 1997. Segundo a família, eram quase três décadas de atividade como feirante, sendo conhecido por ajudar clientes e colegas de trabalho.

“Ele era um homem honesto, trabalhador, provedor da casa. Um pai excelente, um marido maravilhoso”, relata a mulher dele. Após a morte de Reginaldo, Lissandra diz que passou a assumir a banca onde o marido trabalhava.
Sem respostas oficiais
A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas e a Polícia Militar do Amazonas para solicitar esclarecimentos sobre o caso, incluindo o andamento das investigações e a análise das imagens.
Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação dos órgãos.






