Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A morte de Ronald José Salvador Montenegro, 55 anos, após ser atingido por uma barra de supino durante um exercício em uma academia em Olinda, na última segunda-feira, 1/12, trouxe à tona discussões sobre a importância do acompanhamento profissional e das medidas de segurança durante os treinos em academias.
O incidente ocorreu enquanto Ronald realizava o exercício de supino reto, quando a barra escapou de suas mãos e caiu sobre seu tórax. A vítima foi socorrida pela própria equipe da academia e levada para a UPA de Rio Doce, mas não resistiu aos ferimentos.
Especialistas consultados pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS alertam para os riscos de casos como esse, que podem ser evitados com a devida orientação e supervisão.
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‘Pegada Suicida’
De acordo com Stephany Rodrigues, 25, bacharel em Educação Física e mestre em Ciências do Movimento Humano, o supino com barra livre é um exercício eficaz, mas que envolve riscos significativos quando realizado sem supervisão.

Entre os perigos, está a perda de controle da barra devido à fadiga ou pegada inadequada, o que pode levar a quedas inesperadas. Além disso, a carga elevada, muitas vezes acima da capacidade do aluno, é outro fator de risco.
“Quando as pessoas não têm orientação profissional, podem acabar colocando mais peso do que conseguem suportar, o que aumenta muito os riscos de acidentes. A inspeção periódica dos equipamentos e a sinalização sobre os riscos das pegadas inadequadas e cargas excessivas são fundamentais para a segurança”, alerta.
Stephany destaca que muitos praticantes de musculação utilizam a pegada mais larga na barra, acreditando que isso ativa mais o peitoral, sem ter noção dos riscos envolvidos. Ela reforça que a presença de profissionais treinados em primeiros socorros é imprescindível.
O papel do treinador na prevenção de acidentes
O profissional de educação física, Lucas Robson, 26, também alerta para os riscos associados ao supino. Ele explica que o exercício é fundamental para todos os níveis de treinamento, mas, sem a supervisão de um treinador, o risco de acidentes aumenta, principalmente devido ao desconhecimento dos praticantes sobre o processo de adaptação do corpo para a execução correta do movimento.

“Sem o acompanhamento, as pessoas podem acabar colocando mais peso do que conseguem suportar, ou realizando o movimento de forma inadequada. No caso do supino, se o praticante não consegue descer a barra de forma controlada e, principalmente, não consegue subir a barra com a mesma segurança, isso indica sobrecarga e risco de lesão”, explica.
Falha muscular e sobrecarga articular

O profissional de Educação Física, Fábio Pereira, 28, e mestre em Ciências do Movimento Humano, alerta para os riscos biomecânicos do supino com barra livre, que exige estabilidade escapular, controle motor e coordenação.
Quando feito sem acompanhamento, o exercício pode levar a falhas musculares súbitas, que podem resultar no colapso da barra sobre o tórax, pescoço ou rosto.
“Além disso, o exercício sem a técnica correta pode gerar sobrecarga articular, predispondo a lesões no ombro e no peitoral maior. Em casos graves, os acidentes podem causar sequelas e até mesmo risco de morte”, afirma.
Fábio também defende que protocolos preventivos sejam padronizados nas academias, como a supervisão direta em exercícios com cargas livres elevadas e a fiscalização periódica dos equipamentos.
Prevenção e cuidados no treino


Eduarda Amâncio, estudante de Jornalismo e estagiária na Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), compartilhou que, embora raramente precise de ajuda para seus treinos, sempre aumenta a intensidade dos exercícios de forma gradual e evita realizar movimentos com cargas acima de sua capacidade.
“Quando preciso de orientação, procuro um profissional para evitar lesões e garantir que estou fazendo os exercícios corretamente”, diz.
Ela também destaca que, para evitar riscos, é importante realizar alongamentos e exercícios de mobilidade antes de iniciar o treino. “Nunca começo com a carga máxima. É importante começar com pesos mais leves, para ativar os músculos e garantir que o movimento está sendo feito corretamente”, conclui.






