Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma representação será protocolada nesta segunda-feira, 1º/12, no Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM) para pedir investigação sobre possíveis irregularidades e indícios de crime ambiental envolvendo o novo aterro sanitário construído no km 19 da AM-010, no bairro Lago Azul, zona Norte de Manaus. A iniciativa parte do mandato do vereador Zé Ricardo (PT), que afirma ter encontrado elementos que apontam para falta de transparência, riscos ambientais e impactos diretos à população que vive no entorno da obra.
O aterro foi anunciado pelo prefeito David Almeida (Avante), em outubro, como um projeto com resultados “concretos” e “mensuráveis” para a gestão de resíduos da capital. No entanto, durante visita ao local, o parlamentar contestou o discurso oficial e classificou a construção como um “puxadinho” do antigo lixão controlado, insinuando que o projeto não representa um novo modelo de política ambiental, mas sim a continuidade de práticas antigas e problemáticas.
“A prefeitura prometeu um novo aterro, mas o que encontramos é um verdadeiro puxadinho. Isso não é política de resíduos sólidos, é descaso. Mantém a poluição, aproxima ainda mais o problema das casas e prejudica famílias inteiras. É inaceitável”, criticou.
A falta de consulta pública também é um dos pontos levantados por Zé Ricardo. Moradores da região relataram que foram surpreendidos pelo início das obras, sem aviso prévio, audiências públicas ou qualquer processo de diálogo com a comunidade, o que, segundo ele, reforça a necessidade de investigação por parte do Ministério Público.
“Isso aqui vai continuar poluindo todo esse entorno, inclusive agora encostando mais ainda aqui no bairro. Portanto, não dá para aceitar isso. O prefeito tem que ter uma política de resíduo sólido, tem que ter coleta seletiva, reaproveitamento”, afirmou.
O parlamentar ainda criticou a declaração do prefeito de que o empreendimento seria o primeiro aterro sanitário público de Manaus. Para ele, a proximidade com o aterro já existente contraria esse discurso. “O prefeito disse que é o primeiro aterro municipal público, mas encontramos um puxadinho. É do lado do atual aterro sanitário”, rebateu.
Como será o novo aterro
O novo empreendimento está sendo construído ao lado do aterro controlado já em operação, no km 19 da AM-010. O investimento ultrapassa R$ 20 milhões e a área total prevista para o projeto é de 67 hectares, divididos em quatro células operacionais de quase cinco hectares cada.

A previsão é que o aterro comece a funcionar em fevereiro de 2026, com vida útil estimada em 20 anos, conforme definido pelo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Segundo a prefeitura, o local terá quatro camadas de impermeabilização, incluindo geocomposto bentonítico (GCL) e geomembrana de polietileno, para garantir proteção ao lençol freático.






