Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma ação popular ajuizada na 3ª Vara da Fazenda Pública de Manaus pede a suspensão temporária do funcionamento da roda-gigante instalada no Complexo Turístico da Ponta Negra, até que sejam apresentados os documentos oficiais que autorizam a exploração do espaço público pela empresa responsável e comprovada a segurança do equipamento.
A ação foi protocolada pelo vereador Coronel Rosses (PL) nesta segunda-feira, 24/11. O pedido ocorre após o brinquedo travar e deixar dezenas de pessoas presas nas cabines, provocando desespero entre familiares e amigos. O incidente aconteceu pouco mais de 48 horas após a inauguração da roda-gigante, que estava lotada no momento da paralisação.
A administração da estrutura está sob responsabilidade da empresa H. M. Diversões LTDA, proprietária do parque de diversões Nene Park. O vereador destacou que a empresa deve apresentar toda a documentação oficial, pois, segundo ele, não há no Diário Oficial, no Portal da Transparência ou em qualquer publicação pública o processo administrativo, termo de cessão ou permissão que comprove a legalidade da operação.
“Pedimos a interdição da roda-gigante da Ponta Negra à Justiça, e, de forma surpreendente, uma primeira resposta já veio. Prove que a ligação de energia escondida no matagal não é ‘gato’ e prove que a empresa criada dois dias antes de assinar o contrato tem realmente condições de operar”, afirmou o vereador.
Segundo a ação, embora a H. M. Diversões LTDA conste como permissionária, a exploração comercial da roda-gigante estaria sendo conduzida por outra empresa: a J. P. Diversões LTDA, criada na última terça-feira, 18, conforme dados da Receita Federal.
A nova empresa, de nome fantasia Wheel Manaus, tem como único sócio-administrador Jean Marcos Praia Rocha, diferente dos sócios da H. M. Diversões, Harley Belarmino de Souza e Maria Gabriela Michael Patino. Mesmo sem constar no termo de cessão, a Wheel Manaus publicou, há dois dias, a arte publicitária oficial de venda de ingressos em suas redes sociais.
Incidente
No sábado, 22, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) foi acionado após várias pessoas ficarem presas na estrutura. De acordo com testemunhas, funcionários da empresa responsável ainda tentaram manusear o equipamento sem qualquer proteção. O resgate só foi concluído após a intervenção dos bombeiros.
O ex-vereador Amauri Gomes (União) denunciou uma possível ligação clandestina que estaria abastecendo o equipamento.

“Constatamos no local uma ligação irregular, e eu acionei os órgãos competentes para verificar”, afirmou. Ele relatou que chamou o Corpo de Bombeiros, a Guarda Municipal e a Amazonas Energia, e que estava no local quando o travamento ocorreu.
A roda-gigante teria permanecido travada por mais de uma hora. A denúncia e o incidente foram registrados no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que investiga se houve falha técnica, sabotagem ou irregularidades no fornecimento elétrico da estrutura.






