Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – “Ainda é uma situação reversível, mas é preciso propor soluções e ser direto no objetivo. É preciso mais do que propagandas, é necessário um trabalho cultural”, afirma o ambientalista Ricardo Ninuma sobre queimadas no Amazonas. Nós precisamos mudar nosso comportamento e a nossa percepção do que pode causar ao colocar fogo nos resíduos”.
O Amazonas continua a enfrentar desafios alarmantes no que diz respeito aos focos de incêndio, apesar de uma aparente melhora nos números em relação ao ano anterior. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), durante o mês de agosto deste ano, o estado registrou uma queda de 32,55% no número de focos de calor em comparação com 2022. Entretanto, a capital se viu envolta em fumaça de queimadas durante a última semana do mês, o que levanta preocupações.
Os especialistas apontam várias razões para essa situação. A alta densidade de poluentes sobre a capital, juntamente com as altas temperaturas causadas pelo agravamento do El Niño, são fatores cruciais. Segundo o ambientalista Ricardo Ninuma, em entrevista ao Jornal da Rios, na Rádio RIOS FM 95,7, o desmatamento desempenha um papel fundamental nesse cenário. O ambientalista ressalta que “é algo muito preocupante aqui em Manaus e no mundo inteiro”.
“Isso acontece em maior parte por conta do desmatamento, isso ocasiona o efeito estufa e faz com que o solo fique muito mais ressecado e faz com que as plantas sequem mais rápido, tornando propício ao incêndio urbano”, explica Ninuma.
As altas temperaturas agravadas pelo fenômeno El Niño também contribuem para a dificuldade de dispersão da fumaça no ar, tornando o cenário ainda mais preocupante. A combinação desses fatores ressalta a urgência de medidas para enfrentar não apenas as queimadas, mas também os impactos diretos na saúde da população afetada. A proteção do meio ambiente e da saúde pública se torna ainda mais crucial em face desses desafios crescentes.

Dados
No período de 1º/8 a 31/8 deste ano, foram registrados 5.474 focos de incêndio no Amazonas, em comparação com os 8.116 do mesmo mês no ano anterior.
Nas últimas 48 horas, Lábrea registrou 88 focos, Novo Airupuanã 75 e em seguida Apuí com 72 . Ao todo, o estado testemunhou 891 focos de incêndios, contribuindo com 25,7% dos incêndios em todo o Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Ninuma destaca que a ação humana é responsável por cerca de 95% desses incêndios, com lixeiras viciadas servindo como pontos de combustão. Além do costume que as pessoas têm em esperar o verão para fazer a queima de madeiras e outros materiais, sendo a maioria queimadas criminosas. Ele apela para a mudança de comportamento cultural em relação ao uso do fogo para descarte de resíduos, enfatizando a necessidade de soluções concretas para reverter essa tendência perigosa.
“Primeiramente, tem que se evitar colocar fogo. Tem a questão cultural também, muita gente espera chegar o verão para colocar fogo em lixos e madeiras, e no calor essa fumaça não se dissipa”, disse Ricardo.






