Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Amazonas é um dos estados com altos índices de crimes cometidos contra crianças e adolescentes. No meio digital, abusadores tem buscado cada vez mais estabelecer contato direto com prováveis vítimas, como aponta o delegado da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), Paulo Mavignier, em entrevista à Rádio Rios FM 95,7.
“Este é um tema tão recorrente. É preciso a gente criar uma onda de alerta nos pais e nos familiares, porque hoje a internet é uma porta aberta para o abuso sexual, para o recrutamento e para o aliciamento [de crianças e adolescentes]”, afirmou Mavignier.
Dados da Secretaria de Estado e de Segurança Pública (SSP-AM) mostram que de janeiro a setembro deste ano, mais de 7 mil casos de crimes praticados contra crianças e adolescentes foram registrados no Amazonas. Destes, 883 casos são de estupro de vulnerável, enquanto outros 1.134 são de ameaça, por exemplo.

“Hoje você não permite que seu filho esteja na rua sendo abordado por pessoas estranhas, mas dentro da sua casa o estranho entra pela internet para conversar com seu filho. Existe uma rede de manipulação muito grande porquê os pais não conhecem sobre a temática e deixam os filhos vulneráveis”, disse o delegado.
Conduta criminosa
O diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI) destaca que o responsável é sempre o abusador, mas também ressalta que os pais têm papel determinante com a vigilância atenta a vida digital dos seus filhos, tendo em vista o risco real da exposição infantil em redes sociais evoluir para situações presenciais.
“Criar filho pequeno exige atenção, tendo em vista que a rotina hoje é corrida. Muitos acabam tendo acesso a aparelhos eletrônicos e acabam expostos a pessoas que podem chegar para eles se passando por criança, por exemplo. A responsabilidade é sempre do aliciador. Os pais tem a obrigação da supervisão”, reforçou o agente.
Mavignier ressalta que é importante monitorar todas as plataformas as quais menores de idade tem acesso, incluindo até mesmo as salas de bate-papo de jogos na web. “Tem aplicativos que se você não conhecer hoje, podem estar no celular do seu filho e você nem saberá do que se trata. É muito perigoso”, concluiu ele.






