Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A maior procissão fluvial do Norte do Brasil, a Romaria das Águas, acontece neste fim de semana, nos dias 13 e 14 de julho, saindo de Manaus rumo a Parintins, em homenagem à Nossa Senhora do Carmo. Esta será a primeira edição sem a presença física de seu idealizador, o artista Juarez Lima, falecido em novembro de 2024.
Com o tema “Maria, és a Árvore da Vida, da qual nasce Jesus: a Arca da Aliança, raiz ancestral da fé na Amazônia”, a Romaria das Águas 2025 já movimenta artistas, devotos e missionários entre Manaus e Parintins. A tradicional peregrinação promete reunir centenas de romeiros para celebrar a fé e a cultura parintinense em um dos maiores eventos religiosos da Amazônia.
A saída está marcada para o próximo domingo, 13 de julho, e o trajeto será feito pelas águas do rio Amazonas, encerrando-se em Parintins, a 369 quilômetros de Manaus, no dia 14. As passagens para participar do trajeto ainda estão à venda e as vagas são limitadas. Os contatos são: (92) 99477-4269 e (92) 99172-4988.
“Os artistas de Caprichoso e Garantido já estão aqui em casa [residência de Juarez Lima] fazendo a escultura da santa, estamos montando agora uma programação intensa nesta semana”, informou Thyago Lima, organizador da Romaria das Águas e filho do criador da romaria.

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Entenda o legado de Juarez Lima
Este será um momento especialmente simbólico. Pela primeira vez, a Romaria acontece sem Juarez Lima, criador da procissão, que faleceu em novembro do ano passado, aos 58 anos, na Áustria, vítima de um AVC com complicações. Juarez era uma das figuras mais marcantes do Festival de Parintins e do Boi Caprichoso, e iniciou a Romaria em 2009 como uma promessa.


Segundo o filho, Juarez Filho, tudo começou com um ato de fé do pai: “Essa devoção de Nossa Senhora do Carmo, sobretudo a Romaria das Águas, começou com dois artistas excepcionais: meu pai, Juarez Lima, e o Mestre Jair Mendes. Quando Jair teve um AVC, meu pai prometeu que, se ele se recuperasse, levaria a Santa sobre as águas do maior rio do mundo. E assim nasceu a Romaria.”

Desde então, a celebração cresceu, ganhou força na região e hoje é símbolo da fé amazônica e das tradições que nascem da união entre religiosidade e cultura popular, duas vertentes que se entrelaçam quando se fala de Parintins, a capital nacional do boi-bumbá, que tem Nossa Senhora do Carmo como padroeira.
Quem faz a Romaria
A imagem de Nossa Senhora do Carmo, que vai a bordo da embarcação principal, está sendo confeccionada em Manaus por artistas que trabalharam ao lado de Juarez Lima. Muitos deles, como Manuel da Silva Baraúna (Tio Léu), participaram desde as primeiras edições.
“Eu estou há 12 anos fazendo a Romaria das Águas. Para mim é uma alegria continuar esse legado, mostrar para os colegas o que a gente vai fazer. A gente vai levar isso sempre em frente, enquanto tiver vida e saúde”, afirmou Tio Léu, que cuida da estrutura da imagem da santa.

Já Osleilson, o Zulu, outro integrante da equipe, lembrou os ensinamentos deixados por Juarez: “Ele sempre dizia que a gente tinha que ter coragem. Tudo que fosse fazer, tinha que ser ousado e colocar Maria em primeiro lugar. Então, fazer isso é uma forma de gratidão. Esse ano vai ter surpresa, mas a gente ainda não vai revelar.”

Fé, cultura e esperança
Em sua 16ª edição, a Romaria das Águas é mais do que um evento religioso: é um elo entre o passado e o presente, entre o sagrado e o artístico. É também a continuação de uma promessa de fé feita sobre as águas da Amazônia, agora levada adiante por filhos, amigos e devotos do artista que a sonhou.






