Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Amazonas registrou um aumento alarmante de 47,46% no número de mortes no trânsito em 2024, segundo dados do Mapa da Segurança Pública. O número de óbitos saltou de 177 em 2023 para 261 neste ano.
Manaus aparece entre os dez municípios brasileiros com maior número absoluto de vítimas no trânsito em 2024. Foram 174 mortes registradas na capital amazonense, o que coloca a cidade na sexta posição no ranking nacional — à frente de capitais como Belo Horizonte e Goiânia.
Do total de 261 óbitos no estado, 203 eram homens e 58 mulheres. A Região Norte como um todo também apresentou aumento nas mortes no trânsito: 24,62%. O Amazonas foi o segundo estado com mais registros, ficando atrás apenas do Pará.
Perfil das vítimas
Em entrevista ao Portal Rios de Notícias, o especialista em trânsito Manoel Paiva classificou os números como “assustadores”. Ele comparou os dados atuais com registros anteriores.
“Se analisarmos os números de vítimas fatais desde o ano 2000, veremos que o cenário continua preocupante. Em 2006, por exemplo, foram 297 mortes no trânsito em Manaus, entre janeiro e dezembro”, destacou.
Segundo o Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), até maio de 2025, Manaus contava com 823.953 condutores habilitados. Desse total, 546.353 (67%) são homens e 277.600 (33%) são mulheres.
“O perfil masculino representa a maioria dos habilitados e também o maior número de vítimas fatais no trânsito no estado”, completou Paiva.

Medidas urgentes para segurança viária
O especialista defende que o combate às mortes no trânsito deve ser prioridade no estado. “É fundamental implementar programas de redução de acidentes, voltados principalmente para motociclistas, pedestres e ciclistas — que são os grupos mais vulneráveis”, afirmou.
Entre as soluções propostas por Paiva estão:
- Implantação da Faixa Azul para motociclistas;
- Criação de áreas de espera específicas para motos;
- Construção de ciclovias adequadas e ciclofaixas seguras.
Ele também defende maior participação do terceiro setor em campanhas educativas e programas de formação e requalificação de condutores, tanto de veículos de passeio quanto de transporte de cargas e passageiros.
Fiscalização e tecnologia
Para reduzir os acidentes, Paiva acredita que é essencial investir em tecnologia para a gestão e fiscalização do trânsito.
“Precisamos de projetos de intervenção viária, especialmente nos bairros periféricos, áreas de grande fluxo e nos chamados ‘pontos negros’ — locais com alto índice de acidentes”, disse.
O uso de semáforos inteligentes, radares eletrônicos, barreiras móveis e fixas e fiscalização eletrônica centralizada também é apontado como estratégia eficaz.
“Essas tecnologias funcionam como agentes de trânsito: ajudam a fiscalizar, coletam dados e contribuem para a segurança de pedestres e motoristas”, explicou.
Planejamento para o futuro
Por fim, Manoel Paiva ressalta a necessidade de reestruturar o sistema de transporte coletivo da capital. “É preciso planejar um novo modelo de transporte urbano de massa, que integre ônibus, transporte de fretamento do Polo Industrial de Manaus (PIM), veículos de duas rodas e o sistema hidroviário”, sugeriu.
Para ele, o ideal seria apostar em um modal sob trilhos, de média capacidade, ao longo dos eixos estruturais da cidade. “Esse modelo traria mais inclusão, sustentabilidade e integração à mobilidade urbana de Manaus”, concluiu o especialista.






