Hoje é Dia dos Namorados.
Tem gente comemorando com flores, jantar e juras de amor. Outros postando legendas apaixonadas. E tem quem esteja em silêncio — lidando com a saudade, a solidão ou a dúvida sobre o que é, afinal, um relacionamento saudável.
E se eu te dissesse que amar continua sendo o maior desejo da maioria das pessoas — mesmo em tempos de tanto medo?
Uma pesquisa da Ipsos em 2025 revelou que 75% dos brasileiros se sentem amados e 78% dos que estão em um relacionamento se dizem satisfeitos com sua vida afetiva. Ainda acreditamos no amor, mas a forma de amar mudou.
Hoje, as pessoas querem respeito antes de romance. Querem segurança antes de promessas. Numa outra pesquisa nacional, 99% dos entrevistados disseram que o respeito é o valor mais importante em uma relação. Depois veio a comunicação. O amor apareceu só em quarto lugar.
Parece estranho dizer isso no Dia dos Namorados, mas faz todo sentido. Porque o amor, sozinho, não sustenta uma relação. É preciso maturidade emocional para amar — e para ser amado.
O que (ainda) nos assusta nos relacionamentos?
Nos atendimentos clínicos, escuto medos que se repetem em diferentes vozes:
🔹 Medo de ser traído
🔹 Medo de não ser suficiente
🔹 Medo de depender emocional ou financeiramente
🔹 Medo de se anular para não perder o outro
🔹 Medo de repetir padrões da infância
🔹 Medo de ser descartado quando “alguém melhor” aparecer
E por trás desses medos, quase sempre, mora a dependência emocional: aquela ideia de que você só vale algo se for amado por alguém. Que só se sente viva(o) se estiver em um relacionamento. Que aguenta tudo — desde que não seja deixado para trás.
Mas isso não é amor. É sobrevivência emocional. E ninguém deveria sobreviver dentro de um relacionamento. A gente merece viver, crescer e ser.
Neste Dia dos Namorados, quero te propor um reencontro. Mais do que buscar o par ideal, talvez seja hora de olhar para dentro:
• Você está pronto(a) para amar ou está tentando preencher um vazio?
• Você sabe conversar ou só grita quando sente medo de ser abandonado?
• Você consegue colocar limites ou ainda acredita que o amor exige sacrifício constante?
Amor saudável não exige que você se apague. Ele pede espaço para ser quem se é — com liberdade, verdade e presença.
Três lembretes que podem transformar seus relacionamentos:
1. Relacionamentos não curam carência.
Se você entra esperando que o outro preencha seus vazios, está colocando uma carga que nem ele nem ninguém pode suportar.
2. Quem se ama não se anula.
Amor-próprio é o alicerce da relação. Quem se respeita atrai vínculos que respeitam também.
3. Vulnerabilidade é ponte, não fraqueza.
Falar sobre sentimentos constrói intimidade real — muito além da paixão ou do sexo.
E o contrato de namoro?
Sim, existe. E tem tudo a ver com o novo jeito de amar com consciência.
O contrato de namoro é um documento legal que formaliza a relação como namoro, e não união estável. Cada vez mais comum entre casais que querem proteger seu patrimônio ou evitar conflitos futuros, ele mostra que o amor pode — e deve — ser cuidado também juridicamente. Afinal, amar também é se responsabilizar.
Talvez você esteja sozinho hoje. Talvez esteja vivendo um amor bonito. Ou talvez esteja em um relacionamento confuso, onde se sente mais perdido do que amado.
Em qualquer um desses lugares, eu te deixo esse convite: Que tal fazer as pazes com a ideia de amar de um jeito novo? Sem romantizar sofrimento. Sem carregar culpas que não são suas. Sem repetir padrões que te adoecem.
Porque o amor ainda existe.
Mas ele só floresce onde há espaço para ser real. Isso nos exige autoconhecimento para termos maturidade e inteligência emocional, e a psicoterapia nos ajuda muito nesse processo.
E você? Está pronto(a) para amar sem se perder de si?